1982 – eu na época tinha uns 11 anos, ele mais de 40

Olá, primeiramente vim dizer que estou muito feliz em ter encontrado essa página, confesso que estou cada dia lendo mais e mais relatos e posso sentir a dor de cada uma de vocês (de nós).
Isso de cantada de rua “mexe” demais comigo, pois eu tenho verdadeiro repúdio com esses “elogios” baratos que só nos diminuem. Mulher nenhuma gosta de ser tratada como um objeto.

Mas, falando sobre o meu caso, eu lembro que eu comecei a criar corpo bastante cedo (tinha uns 10 anos quando meu quadril começou a ficar mais largo, minhas pernas engrossarem, etc., e o curioso é que eu só fui ficar “mocinha” três anos depois. Mas, enfim…). O fato de eu, apesar de ainda uma criança, já ter o corpo um pouco característico de adulta obviamente não seria suficiente pra eu chamar atenção de nenhum homem decente, normal, mas pedófilos existem por aí aos montes e são crianças, desenvolvidas ou não, que atiçam eles (argh…nojo!).

Um caso em especial que eu nunca esqueci, nunca contei pra ninguém, mas que me fazia sentir muito envergonhada e suja, é de um cara que tinha uma caminhonete de frete na rua onde eu costumava morar, eu na época tinha uns 11 anos, ele mais de 40, e ele tava sempre perto dessa caminhonete dele. Toda vez que eu passava por ele, ele virava pra mim e lançava aquele olhar nojento, sabe? De desejo? Eu era uma criança, meu Deus! Lembro também que ele as vezes falava alguma coisa quando eu passava por ele, que provavelmente era sujeira, mas não lembro exatamente o que que era. Eu passei a ter vergonha de passar por ele, e, quando eu estava sozinha, atravessava a rua antes de chegar nele na tentativa de ele não me ver, mas eu não conseguia (e não consigo até hoje) esquecer a cara repugnante que ele fazia ao me ver (e eu usando roupas normais, mas nós sabemos como que esses tarados são: pode estar vestida como uma freira, que não adianta). Morria de vergonha também ao passar por ele quando estava com a minha mãe, ou com alguma amiga e a mãe dela, sem saber o que elas pensariam daquilo se notassem também. O que me deixa mais puta é que minha mãe e os porteiros da rua, todos conheciam ele e ele provavelmente me conhecia também, pois me via com a minha mãe, e sabia o quão nova que eu era e mesmo assim fazia isso sem um pingo de vergonha na cara.

Outra situação muito esquisita que eu me lembro é de eu e minhas amigas na praia, já estava se pondo o sol e nossas mães estavam na areia olhando a gente (estávamos na agua), tinha um cara um pouco afastado da gente que não parava de nos olhar, e a gente notava (porque ele queria que nós víssemos) que o membro dele estava pra fora da sunga! A gente ria daquilo tudo, achamos bizarro (devíamos ter por volta da mesma idade, uns 11 anos) e eu tinha um pouco de noção da gravidade da situação mas não contei pra minha mãe porque nem sabia como.

Mas voltando sobre as cantadas, isso desse pedófilo da frete me fez lembrar que desde então, com o meu corpo se desenvolvendo mais, eu comecei a chamar mais atenção dos homens na rua (e dos porteiros desocupados na calçada, que só o que fazem é assobiar pra mulher na rua), eu lembro que eu me sentia tão mal por isso, que eu comecei a me fechar por dentro, pois eu sabia que aqueles olhares não eram apropriados para mim naquela idade, mas não conseguia fazer com que eles parassem, então eu comecei a me vestir cada vez mais masculina, com calça folgada, blusa folgada, tudo aquilo que fosse mostrar as minhas “curvas” eu não vestia pra evitar os olhares maliciosos. Minha mãe não entendia, nem meu pai, minha mãe achava que era somente uma “fase” que com o tempo passaria – e passou.
Eu tinha uma vizinha nesse novo lugar que morava com a minha mãe que vivia me enchendo o saco dizendo pra eu ser mais feminina, que eu tinha um corpão e o que “é bonito é pra ser mostrado”. Eu odeio essa expressão. Eu mostro ou escondo o que quiser, o corpo é somente meu. E o pior, o marido dela, de mais de 45 anos, concordava com ela.
Anos depois, quando eu comecei a me aceitar melhor e me tornei mais feminina, eu lembro que fui ver essa vizinha de novo e uma de nossas conhecidas, na saída da casa dela, comentou que sempre achou que eu era lésbica pelo meu modo de vestir antigamente.

Até ia comentar também uma coisa que eu nunca contei pra ninguém, essa mesma vizinha e o marido dela, as vezes nós bebíamos juntos na casa dela, mas uma coisa bem casual pois era porta com porta, eu sempre ia embora quando quisesse. Teve uma vez que eu bebi um pouco alem da conta (eu era adolescente, tinha meus 15 anos) e beijei essa minha vizinha. Depois disso, eu só lembro de eu deitada na cama deles e o marido dela tocando na minha bunda, isso eu de costas e a minha calça abaixada. Eu falava pra ele parar,mas ele não parava. Até que eu vomitei e ele parou. Depois desse dia,eu não consigo olhar pra ele sem lembrar dessa noite. Já se passaram quase 6 anos e eu nunca me esqueci. O pior é que eles e minha mãe são bem próximos, então eles se vêem com frequência. Mas sinto muito nojo.

Enfim, gostaria de agradecer pelo espaço para eu contar isso. Nunca contei pra ninguém e agora conto pra milhares…
Força para nós.