2000 relatos – Como começou a página Cantada de Rua (e um relato pessoal)

 Chegamos aos 2000 relatos – Conheça a história do projeto neste relato pessoal da fundadora da página, Åsa Dahlström Heuser:


A página “Cantadas de Rua – conte o seu caso” (https://www.facebook.com/CantadaDeRua) foi criada no dia 7 de novembro de 2012. O que eu pretendia com a página era verificar como as mulheres se sentem quando são de alguma forma abordadas na rua ou em algum outro espaço público por um homem desconhecido. A descrição inicial da página dizia: “Já levou alguma cantada na rua? Como foi? Que palavras foram usadas? Como se sentiu?”, como uma forma de investigar o que as mulheres pensavam sobre esse assunto.

Até o momento a página tem mais de 26.000 fãs, milhares de comentários, inúmeras sugestões sobre como lidar com certas situações de abuso ou assédio, mas o que mais recebemos são mesmo os relatos. Vários destes desabafos saíram da temática inicialmente proposta e foram relatados também abusos no trabalho e no ambiente doméstico. Em várias ocasiões recebemos comentários como “que bom encontrar essa página” e “só aqui encontrei espaço para fazer o meu desabafo”, o que demonstra a importância e a escassez de espaços seguros onde mulheres recebam apoio em relatar os casos de abuso. A longo da nossa trajetória, alguns homens também se manifestaram dizendo que os relatos ajudaram a compreender melhor as mulheres.

A conclusão que chegamos, após mais de dois anos com este projeto, é que o assunto ainda é pouco discutido e as pessoas em geral não entendem a gravidade da situação. Muitas mulheres sentem que não tem liberdade de ir e vir, sentem que estão sendo constantemente intimidadas, mesmo que só por palavras. Além das sugestões recebidas sobre como reagir e se defender em algumas ocasiões de assédio, houve também a sugestão de fazer uma campanha de conscientização com divulgação nas ruas e imagens compartilhadas nas redes sociais, tentando mostrar como as mulheres realmente se sentem e o quanto as ‘cantadas’ são muito mais agressivas do que o senso comum prega.