2009 – Eu exijo e mereço respeito!

Oi! Não vim contar uma história pesada, não. Foi só uma nova experiência minha vida. A minha casa tem dois andares e tem uma sala alugada no térreo onde funciona uma barbearia. Quando ela está aberta, está cheia de homens sentados na parte de fora bebendo cerveja e conversando (e sempre olham quando eu, minhas irmãs ou amigas passam, olham daquele jeito que te deixa constrangida). Estava eu voltando pra casa um dia e descubro que não tenho como entrar em casa, pois eles estacionaram vária motos bem na frente da porta de entrada. Aí abrem espaço no centro da rodinha formada por eles para que eu passasse. Nesse momento eu estava aliviada porque pensei que, já que conversaram um pouco comigo de forma educada, ficariam envergonhados de me jogarem alguma cantada. Que ilusão! Só virei as costas e ouvi: “Que coisinha mais bonitinha! Que linda!”. Podem parecer frases bonitas, mas foi falado de forma bem vulgar. E se fossem elogios eles falariam para mim e não às minhas costas. Eu estava subindo as escadas e, ao ouvir isso, parei. Eu estava tão fisicamente e mentalmente cansada, naquele momento um peso enorme caiu em cima de mim e quando percebi tinha me voltado para eles e estava falando. Eu perguntei se eles tinham dito alguma coisa. E aí eu acordei e percebi o que estava fazendo. Também percebi que teria que continuar agora, não poderia voltar atrás. E perguntei de novo. Eles ficaram com caras de bobos, parecia que estavam vendo uma aberração. Falaram: “A gente não falou nada, não”. Eu disse que tinha ouvido e insisti para que repetissem o que falaram. Eles disseram: “A gente tava só conversando entre nós”. Então eu disse: “Eu moro aqui, eu entro e saio de casa a todo momento e não quero ouvir essas coisas na porta de casa.

Imagem: Google Imagens

Então por favor não falem mais coisas assim!”
Eu não sei se funcionou ou se agora passarão a me chamar de baranga ou grossa em vez de linda, mas pouco me importa. Eu fiz algo, entende? Eu não fiz como tenho feito a vida toda, eu não ignorei. Eu respondi. E eu sou bem tímida, não sou muito de falar e me surpreendi com minha atitude. E estou feliz. E orgulhosa. Talvez, se mais mulheres fizessem o que eu fiz (claro, se for seguro), as coisas mudassem um pouquinho. Se os homens fossem repreendidos por tais ações, talvez gerasse alguma mudança no futuro.
A minha mãe disse que eu fiz errado, que era melhor ter ignorado. Mas, eu tomei uma decisão. A partir de hoje, quando for seguro, eu vou responder. Não vou guardar o peso disso comigo, eles que o carreguem.