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306 – “Preciso da ajuda, orientação, dica, etc etc de vocês – qualquer opinião é muitíssimo válida pra mim. Não se acanhem, por favor.  Eu tenho que conviver com um ser desprezível na faculdade. Ele infelizmente faz parte do meu grupo de amigos, então sempre estamos juntos. Quando saímos de final de semana, nos intervalos da faculdade, em trabalhos em grupo, etc. Ele é o pior homem que eu já conheci. Do tipo que faz as piadas machistas mais ridículas e tenta justificá-las com “sou malandrão, rebelde, machão e politicamente incorreto”. Coitado.  Ele tentou ficar comigo várias vezes, e eu sou sempre muito educada e sutil ao dizer “não”. Segundo ele, ele “se apaixonou” por mim. Além de tentar sempre ficar comigo, e eu até ter sido mais firme – porque o “não” educado, amigável, simpático e sutil eles entendem como “sim” ou como “talvez”, não é assim, sociedade machista? – e grossa, ele me trata como propriedade dele. Falando coisas tipo “você beijou até fulana e não me beija” (eu sou lésbica e ele sabe disso), sem contar que está sempre querendo me controlar, saber onde estou, porque não respondo as mensagens dele, porque fiquei um dia inteiro sem falar com ele, etc – e olha que nós mal temos um relacionamento, nem sequer amizade mesmo! Ele SÓ faz parte do meu grupo de amigos, mas não é um deles. E eu já deixei isso claro. Eu tenho sido bem firme, briguei com ele várias vezes por causa dessas exigências absurdas e do comportamento dele, etc. Mas eis o último – e mais absurdo – ocorrido: Eu e meus amigos fomos à uma festa. Bebemos demais e depois fomos pra casa – eu moro com uma amiga. Estávamos em quatro e eu e ela temos camas de casal – uma cada. Eu estava bêbada e nem vi a divisão de quem ia dormir com quem, cheguei em casa e caí na cama direto e dormi na hora. Ao acordar, percebi que ele tinha dormido na minha cama. Ele estava deitado e virou pra mim e disse assim “E então, como você se sente ao acordar ao lado de um homem?” – claramente querendo se IMPOR na minha vida e na minha sexualidade, visto que sou lésbica e ele sabe disso – e eu fui irônica e disse brincando acidamente “te pergunto o mesmo!”. Ele ficou me olhando sério e respondeu “Você não devia ter confiado tanto em mim, eu poderia ter tentado e feito taaanta coisa”.  Eu pulei da cama na mesma hora e fui para a cozinha. Não tinha resposta alguma, entrei num estado catatônico, um pane. Não tinha sequer palavra pra retrucar. Só fiquei com medo, insegura, assustadíssima, pensando no que ele quis dizer e se tinha ocorrido algo a noite. ACHO que não ocorreu nada. Nunca mais falei com ele e mal olho na cara dele. Não pretendo falar com ele e vou evitar sair com meus amigos quando ele for, etc etc. Só algumas amigas sabem, mas nosso grupo de amigos é muito grande, e ele é “querido” pela maioria dos homens presentes no grupo.  Agora, meninas, eu preciso de uma orientação de vocês. O que vocês fariam? Eu acho que ignorar, não falar mais com ele, ME PUNIR – deixando de sair com os meus amigos por causa DELE – é pouco demais. Eu senti aquilo como uma ameaça, me assustou demais. Ele achando que ser homem é isso, impor a presença e masculinidade sobre qualquer mulher, mesmo que ela não queira, e se vangloriando “ó, eu poderia ter te estuprado hein, eu posso te estuprar”. Sabem? Eu estou assustada. Tento me fazer de forte, mas não sou. Pensei em ligar para a polícia, mas o que eu falaria? Pior que suponho que eles não levariam a sério já que nada chegou a acontecer – eu acho, e tremo só de pensar.  O que vocês fariam? Por favor, eu preciso de uma ajuda, dica, orientação. Não consigo viver com essa situação – não posso acusá-lo, porque ele supostamente AINDA não fez nada, o que posso fazer?”  Juliana