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334 – “Uma vez, quando eu tinha quinze anos, eu estava no caminho entre a minha escola e a minha livraria favorita quando um garoto que eu já tinha visto me olhando várias vezes, e estudava numa escola que ficava no meu caminho me parou e me disse ” Oi, tudo bem? Te vejo passando aqui todo dia, posso falar com você um pouquinho?” Diante de tanta educação eu respondi que sim ,é claro. Agente conversou um pouco, ele já tinha me visto na livraria e agente tinha vários gostos em comum,ele pediu o meu telefone, mas eu não quis dar meu número a uma pessoa que eu não conhecia, ai chamei ele pra tomar uma cerveja, nós passamos o resto da tarde conversando e tomando cerveja, ele, assim como eu, era uma pessoa que respeitava as opiniões dos outros, por mais que fossem diferentes das suas, rimos muito juntos. Ele me levou no meu ponto de ônibus e enquanto ele esperava comigo nós ‘ficamos’, ai sim dei meu telefone pra ele. Ficamos mais algumas vezes, mas quando ficou claro que apesar de sermos duas pessoas tolerantes, respeitosas e com gostos parecidos, possuíamos alguns pontos de vista incompatíveis, resolvemos ser apenas amigos, temos contato até hoje. Agora me pergunte que história eu tive com homens que assobiaram para mim como se eu fosse um cachorro, me chamaram de gostosa, tentaram me encurralar contra uma parede para me apalpar, ou que buzinaram para mim de um carro enquanto eu passava. Resposta: foram xingados, ignorados e esquecidos. Homens, deu pra perceber a diferença? É assim que vocês devem agir se quiserem se aproximar de uma mulher, com respeito e educação. Nenhuma das situações que eu citei acima são lisonjeiras ou minimamente agradáveis e eu apreciaria imensamente se elas nunca mais acontecessem de novo. Cantada é igual a estupro, não cabe a vocês imaginar se a mulher gostaria ou não, cabe a vocês NÃO fazer. É humilhante, constrangedor, invasivo, desrespeitoso e indesejado, como já disse várias vezes antes em comentários, não só nessa página, mas em muitas outras páginas feministas: se eu quiser saber se estou bonita ou não, eu pergunto a uma pessoa conhecida. Quantos de vocês já conseguiram levar uma mulher para a cama buzinando, assobiando, ou falando um monte de obscenidades ao cruzar com ela na rua? Caminhando na direção dela para tentar encurralá – la e apalpá – la? Acho que não muitas não é? Qual o objetivo de vocês em fazer isso? Vocês nem sabem não é? Se divertir com o constrangimento e a indignação de uma pessoa mais fraca, que não pode reagir? Isso se chama COVARDIA, sinto muito em dizer, mas isso não é coisa de gente decente, isso é para doentes, frustrados e idiotas, pelo menos é assim que nós mulheres vemos vocês quando agem assim (nós mulheres normais né?). O objetivo é demonstrar a sua superioridade diante a mulher, fazendo – a passar por essa situação constrangedora? Então sinto muito, mas nós vamos continuar constrangendo vocês de volta com palavras e gestos desrespeitosos e ofensivos, pois ao contrário do que você que tem esse tipo de atitude imbecil possam pensar, nós somos seres humanos, e quando nos afrontam, nós nos defendemos, e para infelicidade de vocês, nós estamos no século XXI e temos direito a isso. E é com grande pesar que eu vos informo que nos humilhar e nos submeter a sua babaquice não lhes tornará pessoas mais bem sucedidas ou realizadas em suas vidas pessoais, olhem para vocês mesmos com honestidade e eu GARANTO que vocês vão perceber que se precisam ter esse tipo de atitude para se auto afirmar, com certeza algo está errado. Vocês não vão mais nos amedrontar com sua agressividade e truculência, nós estamos dispostas a lutar pelo nosso direito a dignidade e respeito.”  Ialoni Ramos