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356 –   “Olá! Adoro ler os relatos dessa página.  Me fez perceber que inconscientemente eu andava na rua de cabeça baixa, desviando o olhar, fingindo mexer na bolsa ou celular para ninguém me importunar. Aos poucos estou mudando esse comportamento!  Mas não é sobre esses episódios que vim falar…   Foi uma situação em que me vi paralisada, me sentindo culpada e sem apoio de ninguém…  O relato é um pouco longo.. me desculpem! Isso aconteceu no início do ano passado quando tinha 24 anos. Eu estava passando um tempo em um spa e para dar entrada no estabelecimento é preciso se consultar com um médico. Já tinha ficado nesse lugar outras vezes (quando tinha uns 18 e 20 anos) e conhecia a equipe e o médico.  Fiz minha primeira consulta com o Dr. Fulano e tudo correu bem. Eu estava gripada e ele receitou um remédio e pediu para evitar as atividades físicas naquele período. Até aí tudo bem.  O problema começou quando eu recebi no outro dia uma mensagem no meu celular de um número desconhecido. Não tenho essas mensagens salvas, mas era algo do tipo:  “Olá Fulana. Vi que você possui viber e te adicionei em meus contatos. Está melhor da gripe? Pode contar comigo para qualquer coisa. Abraços Dr. Fulano”. Achei a mensagem inoportuna (afinal não tinha dado meu telefone e ele só poderia ter conseguido se tivesse procurado no prontuário!), mas pensei que era apenas um médico preocupado com sua paciente. Respondi algo do tipo:  “Olá Dr. Fulano. Estou melhor. Obrigada” Perguntei para outros hóspedes se o Dr. Fulano era atencioso assim mesmo, mas me disseram que ele nunca havia mandado mensagem para ninguém e que, inclusive, tinha fama de ser grosso. Vi também que haviam muitos outros pacientes em situações muito mais graves que uma simples gripe.  As mensagens continuaram dia sim e dia não. Mas nenhuma possuía uma frase que realmente confirmava um interesse… Eram coisas do tipo “Estou lhe escrevendo para dizer que se estiver se sentindo melhor pode iniciar as atividades físicas. Seu retorno está marcado para o dia tal. Estou a sua disposição para qualquer dúvida. Abraços Dr. Fulano”.  A segunda mensagem respondi apenas com um “ok” e as demais não escrevi nada.  Como eu não respondia, ele passava a mesma mensagem uma segunda vez.  A partir daí fiquei meio ressabiada de retornar ao consultório. Cheguei a entrar na fila e esperar, mas não me senti segura para ficar em um consultório fechado com ele. Enquanto estava esperando minha vez, imaginava como reagiria se ele falasse ou fizesse algo inconveniente… decidi não dar nem chance de passar por essa situação! Comecei a me sentir muito mal, a achar que eu estava vendo coisas… Que a malícia estava na minha cabeça… Mas todos a quem eu contava a historia achavam muito estranho. Decidi ir na psicóloga que fica disponível para os pacientes. Mostrei as mensagens… falei que estava muito confusa e incomodada… que não sabia se respondia alguma coisa (Algo do tipo: Esse número é privado. Não quero mais receber mensagens. Qualquer dúvida falo diretamente com você). Ela achou a situação incomum e disse que jamais algum paciente havia relatado algo assim. Me orientou a não responder as mensagens pois acreditava q ele perceberia q eu não estava dando abertura para conversas no celular.  Acho que fui na psicóloga umas duas vezes porque as mensagens não paravam. Inclusive ele tinha saído de férias com a esposa e filhos no período em que eu estava lá e, mesmo assim, eu recebi uma mensagem! Cheguei a falar com a dona do spa sem saber que ele era primo dela. Mostrei as mensagens e ela disse que não via nada de mais… que ele tinha sido orientado a ser mais simpático com os pacientes e que isso podia ser algum procedimento novo. Fiquei meio sem chão… me sentindo boba… pensei que ela acharia um absurdo e que iria exigir uma postura mais profissional dele. Bem… quando ele percebeu que eu não retornei à consulta, não respondia as mensagens e evitava falar e cruzar com ele no spa (Acho que a dona/prima deve ter falado algo pra ele também), o Dr me mandou uma mensagem mais ou menos assim: “Olá Fulana. Vejo que você não responde minhas mensagens, não me dá bom dia e não veio mais se consultar. Será que você me entendeu errado? Não percebeu que minha conduta foi estritamente profissional?. bla bla bla. Dr. Fulano.” Não lembro as palavras exatas dessa mensagem… mas ele se dizia profissional e, por consequência, insinuava que eu pensei coisas maliciosas sobre suas mensagens… Eu já estava profundamente irritada com tudo a situação… e ainda recebi essa mensagem pagando um sapo e me acusando de desconfiar do profissionalismo dele! Achei um absurdo!! Chorei de nervoso… e quando me acalmei liguei para o meu pai para contar e receber algum apoio… Mostrei as mensagens e meu pai disse que não havia nada de errado nas mensagens, que não era pra tanto… eu fiquei mais nervosa e chateada! Desliguei o telefone. Pelo nervosismo, fiquei toda empolada no pescoço! Liguei para a minha mãe q já sabia das mensagens antigas e ela disse que não tinha nada nas mensagens que indicasse efetivamente que ele estava dando em cima de mim ou sendo antiprofissional. Depois meu pai viu que fiquei muito chateada com ele, mudou um pouco a postura e disse que era óbvio que ele estava com uma conduta antiprofissional, mas que com base apenas no conteúdo das mensagens não dava pra provar nada e era melhor eu deixar pra lá porque o Dr. Fulano foi muito esperto (ou seja, era para engolir o sapo e ficar quieta!). Poxa… me senti muito impotente.  No final eu nem respondi essa última mensagem para não prolongar a situação e não iniciar uma briga… mas no fundo eu sinto que estava certa e que deveria ter feito algo!  Sempre que lembro dessa história sinto muita raiva de mim por não ter feito nada e me posicionado…  Ficam várias dúvidas: O que fazer quando não se tem certeza se a pessoa está te cantando? Será que é você que está vendo maldade em tudo? Qual o limite da relação entre médico e paciente? Obrigada pelo espaço!”