a mochila estava em seu colo com o seu braço direito embaixo e se movendo! – 750

750 – “Francamente, nunca pensei que passaria por isso, mas infelizmente passei. Estava voltando do dentista e sentei logo no penúltimo banco do ônibus, e claro, ao lado de uma estudante como eu. Naquele dia estava um calor terrível! Por isso fiquei realmente surpresa quando vi um homem já pelo seus trinta anos com barba por fazer e todo de preto, com uma enorme mochila preta também, que havia se sentado na frente. Após isso nem dei muita importância e fiquei olhando a paisagem pela janela. Até que a moça que estava sentada comigo se levantou e foi embora, de repente vi que o moço todo de preto se levantou lá da frente e veio se sentar logo ao meu lado. E, incrivelmente, o ônibus já estava quase vazio e havia várias cadeiras vagas na sombra, e eu estava do lado da sombra e ao meu lado (ao qual ele se sentou do lado da janela) estava batendo um sol muito forte, por isso achei meio estranho, mas a vida é cheia de coisas estranhas, certo? Não sou muito de parar e ficar analisando as coisas que me rodeiam, por isso nem dei muita importância pela sua troca de lugar. Tola? Claro!   Foi aí que olhando para frente algo ao meu lado esquerdo me chamou atenção e ao dar uma breve olhada vi que sua mochila estava em seu colo com o seu braço direito embaixo e se movendo! Posso dizer que na hora senti um arrepio pelo meu corpo. Levantei-me rapidamente e fui para a saída da frente e fiquei olhando para trás. Com um certo receio dele me seguir o meu primeiro pensamento foi: a) sair no ponto anterior ao meu; b) sair um ponto após; mesmo assim fiquei na minha. Mas, acabei percebendo que não foi só eu que notei aquele estranho movimento!, um moço que estava sentado na frente havia se levantado e estava na frente do moço de preto assim o bloqueando e ficou me olhando o tempo inteiro também.  No ponto que eu havia cogitado descer vi que o homem todo de preto desceu nele e ficou me olhando pela janela do lado de fora. E, sim, estava completamente travada no lugar. Na hora que o ônibus arrancou só peguei e apontei o meu dedo do meio para ele e dei uma risada. Desculpem, mas fazendo isso de certa forma me deixou livre daquele pensamento de não ter falado nada e feito coisa alguma com tal atitude grotesca.”