“achou que eu era prostituta e me tratou que nem lixo” – 1353

1353 – Gostaria de compartilhar uma história, que não é exatamente uma cantada (na verdade não sei do que chamar) que aconteceu quando eu tinha 16 anos. Na época eu vivia pintando minhas próprias unhas, tinha uma coleção enorme de esmaltes. Numa certa semana eu estava cheia de provas para estudar e não tive tempo de tirar o esmalte preto, que já tava passado e bem descascado. Lembro que naquela semana meu irmão veio com ar de nojo e disse para eu tirar o esmalte porque era nojento de ver, e degradante para mim. Como nunca dei a mínima para o que ele pensava, ignorei e disse que tinha prioridades. Meus pais já eram separados na época, e meu pai que morava em outro estado, vinha ver eu e meu irmão quando dava na telha. No final daquela semana, ele e minha madrasta se hospedaram num hotel que ficava na beira-mar, e nós (eu, meu irmão e mãe) morávamos praticamente na rua de trás. Na sexta-feira final de tarde (era verão, então escurecia bem tarde), meu pai me ligou e mandou eu ir até o hotel, que ele estava terminando de se arrumar, pois depois íamos pegar meu irmão em outros lugar pra jantar. Lembro exatamente a roupa que usei, era calças jeans, com um casaco leve escuro por cima, bota de salto curto, e tirei o esmalte velho. Como eu morava quase atrás do Hotel, eu teria que dar uma volta ENORME para entrar pela frente, então segui o que meu próprio pai tinha sugerido, e entrei pelos fundos do hotel. O cara da guarita me deixou passar sem nem perguntar, enquanto meu pai no celular dizia para eu subir, porque ele tava costurando um botão do paletó que tinha caído. Eu fui até a recepção e tentei falar com um senhor que estava atrás do balcão resolvendo alguma coisa, ele já tinha me percebido, mas me ignorava. Eu querendo ser educada, esperei alguma oportunidade para não atrapalha-lo. Até que, ele com uma bufada, olhou para mim e grosseiramente largou “O que você quer????” Eu meio assustada com a voz quase sumindo, disse que meu pai estava no quarto tal, e que tinha pedido para eu subir. Ele apontou um telefone num canto, mandou eu me anunciar e disse que eu não poderia ficar mais que 15 minutos, e então voltou a me ignorar. Na época eu nem suspeitei, o que aquilo queria dizer. Eu tive dificuldades de entender o interfone, mas não voltei para perguntar, falei com meu pai e ele sem entender porque eu estava ligando para o quarto, disse para eu parar de enrolar e subir logo. No quarto, vi que meu pai iria demorar, então logo disse que o cara da recepção tinha dito que eu não poderia ficar mais que 15 minutos. Nesse momento meu pai parou, olhou bem pra mim, me disse para repetir e contar como tinha acontecido. Ele começou a ficar extremamente bravo e agressivo depois disso, e acreditem, meu pai tem quase 2m e uma voz alta e grave, mesmo que não era comigo, ele me dava arrepios. Quando descemos ele foi direto no cara, que descobrimos que era o gerente, e começou a dar esporro nele gritando. O cara começou a se encolher dentro do balcão e funcionários vieram separar, pois meu pai estava quase partindo pra agressão. Na gritaria e discussão eu entendi. O gerente achava que eu era uma prostituta, e me tratou que nem lixo por isso. Saiu coisa do tipo “Eu não tinha entendido que ela realmente era sua filha….” Desde então eu comecei a pensar nessas moças que quase nunca devem ser tratadas com o mínimo de dignidade. Bom, a história não parou por aí, fomos ir jantar e pegamos meu irmão no caminho. Ele sentou comigo no banco de trás do carro, e contamos a história. Depois disso, meu irmão pegou a minha mão que estava no meu colo e olhou as minhas unhas, querendo comprovar alguma coisa. Quando viu que eu estava sem o esmalte velho, soltou “hum, menos mal”. Como se eu estivesse com o esmalte descascado, o cara teria motivos justificáveis para achar que eu era uma prostituta e me tratar daquele jeito. Na cabeça dele a culpa seria minha. A humilhação foi enorme e eu não conseguia nem discutir. Fiquei meses sem utilizar esmalte, mesmo sabendo que aquilo não tinha nada a ver com o que aconteceu. Nenhuma mulher merece ser tratada daquele jeito e ser humilhada. Peço para que preservem a minha identidade. Obrigada Ah, meu irmão? Virou um monstrinho mimado e machista, que ano passado com 26 anos na cara, quis me bater e me fez várias ameaças, por motivos fúteis; a real é que ele só queria um motivo para brigar para descarregar recalques da vida frustrada dele. Fiz um BO não representativo contra ele e estou há mais de 6 meses sem falar com meus pais e com ele. Meus pais não admitiram que eu tivesse feito um BO contra “o meu próprio irmão”. Dói gente, esse ano não está sendo fácil, estou me formando e somado a tudo está quase me deixando louca. Eu sei que um dia eu vou superar e vou viver melhor do que jamais vivi, mas o caminho é árduo.