Agradecimento à pagina

“Olá a todas, eu poderia fazer dezenas de relatos de caso, mas resolvi agradecer a esta página por existir de uma maneira diferente, mostrando como ela impactou de forma positiva na minha visão de mundo. Eu sempre fui uma garota com um péssimo senso de localização, eu nunca encontrava objetos perdidos ou dinheiro no chão, quando conhecidas e conhecidos passavam por mim eu nunca via ou reparava, eu passava mil vezes de frente para uma mesma loja ou prestadora de serviços e, quando precisava pela primeira vez daquele tipo de produto, sempre tinha que pesquisar na internet onde tinha e daí descobria um lugar perto da minha casa diante do qual eu já havia estado milhares de vezes.  Andava pelas ruas completamente imersa em meus próprios pensamentos, fones, sem ligar para o que acontecia à volta. Como já relatei aqui no passado, até os 19 anos me vestia de maneira muito simples e até desleixada, nunca usava maquiagem, não fazia a sobrancelha, não alisava o cabelo, só usava tênis e nunca salto, e só tinha calça e nada de shorts ou saias (essas 2 coisas eu só usava dentro de casa). Quando comecei a me vestir como os homens desejam que as mulheres se vistam, comecei a reparar nas cantadas e encarava elas como elogios. Esta página me fez mudar de ponto de vista a esse respeito, mas não só. Somando os relatos lidos aqui com o Wendo, uma forma de luta feminista para auto-defesa das mulheres contra violência machista, comecei a andar atenta. A caminhar com a expressão séria, olhando nos olhos dos homens que passam, sem fones, o que passou a inibir cantadas. Quando elas são feitas, são prontamente respondidas em alto e bom som e com a mesma grosseria que me foi dirigida. Comecei a caminhar com a cabeça mais erguida, a expressão mais confiante, os ombros para trás, a coluna ereta, o olhar atento, e a mirar cheia de reprovação e nojo para os homens que olham de maneira maliciosa para outras mulheres. Comecei a fazer eles terem vergonha de si mesmos. Quando percebem o meu olhar de nojo e ódio diante da forma como eles tratam ou encaram outras mulheres, abaixam a cabeça, constrangidos, quase sempre. Uma vez ou outra me olham com cara de quem acha que eu os estou reprovando por “inveja” de não receber cantadas e afins da parte deles. Junto a isso, outras coisas começaram a mudar. De repente, meu senso de localização deu um salto. Eu cumprimento pessoas distraídas que passam por mim e que eu conheço. Comecei a encontrar coisas no chão, a saber onde fica o quê, a ensinar caminhos e nomes de ruas para pessoas que estão indo pela primeira vez a algum lugar ali perto. Podem parecer pequenas bobagens, mas não são. Um estuprador vai preferir atacar uma mulher distraída a uma atenta, uma que abaixe o olhar a uma que o encare de volta. E muitas coisas sutis, só que ainda assim importantes, começaram a mudar para melhor na minha vida. Minha visão de mundo se tornou mais ampla, mais aguçada, mais esperta. E isso eu devo, em grande parte, a vocês que constroem esta página diariamente. MUITO OBRIGADA POR TUDO!”