Ameaçou me expor para que eu me exibisse nua para ele na webcam – 2065

Em 2005 eu tinha 18, beirando os 19 anos.
Meu primeiro computador só tive aos 14, beirando os 15. ICQ já era mania e logo todo mundo começou a migrar pro MSN. Como não encontrava mais ninguém no ICQ, migrei pro MSN também.
Em 2003 o Fotolog estava super em alta. Como toda adolescente vidrada em redes sociais e novidades lá fui eu fazer um. 2 anos depois, verifiquei meu MSN lotado de desconhecidos, que me adicionavam por causa do Fotolog. Um dia, um me adicionou e pediu pra eu ligar a webcam. Pra mim era normal, eu falava com todo mundo pela webcam e microfone. Ele começou a mandar fotos dele quando pequeno, que era campeão de judô, falou que morava em SP e começou a me perguntar várias coisas também. Nunca falava meu nome todo pra desconhecidos, nem minha cidade, não perguntei se ele tinha algum conhecido em comum ou se ele me seguiu no Fotolog.
De repente ele começou a fazer algumas perguntas mais íntimas e eu sempre me achei extremamente honesta nesses assuntos. Nunca tive vergonha de nada, nunca senti como se tivesse algo a esconder e respondi o mais simples e direto possível.
De repente vejo que ele mandou fotos de print com meu rosto e as conversas ali. Me fiz de desentendida e ele disse que eu era mais uma das “vítimas” que ele tinha feito. Que tinha várias meninas com quem ele fazia isso e as obrigava a fazer o que ele quisesse e quando ele quisesse porque se não ele colocava na internet com todos os dados da pessoa, como nome, endereço de e-mail e MSN e o que mais ele tivesse acesso.
Ele falou que era professor de dança, ligou a webcam e vi apenas que ele tinha traços orientais, pois ele tomou cuidado de não mostrar muito além disso. Ele alegou que tinha sofrido um acidente e quebrou os pés e que, talvez por isso, ele nunca mais pudesse fazer o que ele gostava, que era dançar, e que, como ele estava se sentindo preso em casa, ele começou a fazer isso com meninas para poder ter alguma companhia e meninas pra fazer showzinhos pra ele quando ele quisesse. Que essa era uma maneira de ele se desestressar da sua tragédia.
Naquela noite fiz o que ele pediu. Fiquei sem dormir. Criei um MSN novo, migrei meus contatos pro endereço novo. Coloquei uma senha que ninguém nunca iria descobrir qual era, pois nem eu iria lembrar de tanto caractere e abandonei aquele e-mail.
Ainda hoje me sinto aterrorizada, tremo muito, lembrando disso. Naquelas épocas não haviam tantos relatos e ninguém sabia o que era cybercrime ainda. Tenho medo de que assim que ele percebeu o que houve ele ter postado as coisas na internet, mas nunca encontrei nada e ninguém nunca encontrou nada de mim, pelo menos que eu saiba.
Depois disso, claro, cuidados extremamente redobrados. Nunca mais adicionei desconhecidos em rede social alguma, nunca dei informações extras e sempre que me faziam perguntas mais pessoais, sempre esquivei. Ainda hoje me culpo muito pela ingenuidade. “Que burrice!” é o que mais penso quando essa lembrança ressurge…