Aquele garoto tinha o poder de me diminuir – 785

785 – “O que vou escrever não é um relato de cantada de rua ou assédio ou algo assim, é mais um desabafo.
Quando eu tinha 13 anos sofria muita discriminação por não ter um corpo desenvolvido que nem os das outras garotas. Meninas e meninos me desprezavam, riam da minha cara e me zoavam porque eu ainda não tinha seios desenvolvidos e ainda tinha um corpo muito de criança. Um garoto em particular me chamava de “tábua de passar roupa” por ter os seios pequenos, e por consequência disso, me chamava de empregada. Minhas amigas riam. Aquele garoto tinha o poder de me diminuir, de fazer eu me sentir mal comigo mesma.
Eu disse isso porque isso mostra como desde pequenas somos obrigadas a achar que temos que ter um corpo para agradar as outras pessoas e inclusive os homens, e não para agradar a nós mesmas. Que experiência de vida e sobre mulheres esse garoto de 13 anos tinha para julgar meu corpo e me dizer que eu deveria ter seios grandes? Provavelmente aprendeu em casa que mulher tem que ter seios e bunda grandes, senão não presta. E mesmo os caras mais velhos, que direito eles têm de julgar uma mulher, dizer se ela é gostosa ou não? Que direito esses homens têm de constranger as mulheres na rua, como se nós estivéssemos la apenas para desfilar para eles?
Por conta de tudo o que me aconteceu quando mais nova, tive muita insegurança sobre meu corpo por muito tempo, sempre achei que eu tinha um corpo errado. Somente quando me formei e sai daquele colégio, e conheci outras pessoas que comecei a desencanar. E conheci meu atual namorado, que desde o começo me disse que ama meu corpo do jeito que ele é, e não se importa se tenho seios pequenos ou grandes, sou linda dessa maneira, e aprendi a gostar de mim mesma.
Não guardo ressentimentos sobre todas aquelas pessoas do meu passado, apenas ignoro. E mando um “vai se fuder” as vezes, porque ninguém é de ferro.”