Aquele psicopata conseguiu colocar toda a turma contra mim – 1897

1897 – Como toda mulher, tenho não uma mas várias histórias de assédio e abusos para contar, mas hoje venho especialmente contar algo que me aconteceu na época da faculdade. Eu nunca contei essa história pra ninguém, pois eu não conseguia enxergar o abuso nela, abuso esse que hoje eu sei que existiu. Tudo começou em 2009 quando comecei a faculdade, no meu primeiro dia de aula conheci um “garoto” ( que apesar de parecer e se vestir como um garoto, já era um homem com seus 28anos) ele foi a primeira pessoa com quem conversei, e logo nos tornamos amigos. Apesar disso, eu me sentia estranha perto dele, no fundo ele me incomodava… Eu sempre fui um pouco fechada, nunca fui de sorrisos com quem não conheço, já tomei muitos sustos com pessoas por aí, isso me fez ficar em alerta e desconfiada de todos… Todos na sala gostavam dele, ele era um tanto exibicionista, tinha uma altivez um tanto forçada, mas parece que ninguém se dava conta disso. Logo levei ele para meu convívio familiar, levei ele para minha casa, apresentei meu amigos íntimos, e ele se interessou por duas amigas minhas. Logo começou a namorar com uma delas, e mesmo assim marcava de sair com a outra, que resolveu contar para a amiga, o que acabou em briga entre elas; duas crianças que ainda estavam no ensino médio, e ele um homem de 28 anos. As meninas cortaram relações, a namorada, claro ficou do lado dele. Um tempo depois, no segundo semestre ele resolveu que ficaria comigo; um certo dia depois da aula pegou o mesmo ônibus que eu, disse que iria para a casa da namorada, minha amiga, que mora na rua de trás da minha. No caminho começou a me jogar cantadas baratas, e me beijou; parece difícil de acreditar, mas fiquei sem reação, ele era o cara amada por todo mundo, o cara seguro de si, e eu uma garota recém saída do ensino médio. Cheguei em casa com a consciência pesada; incomodada, contei tudo pra minha irmã e uma amiga. As duas não gostavam dele por causa da história anterior envolvendo duas de nossas amigas, então me aconselharam a contar tudo para a namorada. Fui até a casa dela, mas não tive coragem de contar, então deixei para lá… No outro dia o clima entre nós estava pesado, até que não aguentei e durante uma aula o chamei para sair da sala, disse que estava indo embora, e que iria direto para a casa da minha amiga, sua namorada, contar tudo. Ele disse que se eu contasse iria me ferrar, que ia acabar comigo, que iria colocar todos da nossa sala contra mim, que eu teria que desistir do curso. Não ouvi, voltei pra casa, mas não tive coragem de contar para minha amiga. No outro dia, quando cheguei na sala de aula senti a diferença, as pessoas me olhavam torto, estranho, até pessoas com quem eu não conversava cochichavam… Os dias foram se passado e eu notava tudo cada vez pior, a ordem era me ignorar, me isolar, me fazer desistir do curso. Um amigo meu me disse que certa turminha nem olhava na minha cara, que chamavam ele para ficar com eles só para me isolar, que falaram coisas pra ele, que o fulano disse coisas sobre mim, que ele quase acreditou, mas como viu os dois lados da moeda viu que era impossível aquelas coisas serem verdade, e ficou do meu lado, mas, que coisas? Ele não me disse, não quis dizer, ele não gostava de fofocas, então me deixou no escuro. A partir daí vivi uma verdadeira segregação na minha sala de aula, e tudo isso em um curso de humanas, um curso que formava pessoas para serem educadoras, pessoas que deveriam questionar certos conceitos, e todos agiam como uns idiotas. Certo dia um colega em uma conversa me perguntou porque eu não falava mais com fulano, disse que ouviu duas meninas comentar que uma vez encontraram o fulano sentado na calçada chorando dizendo que eu ia acabar com o namoro dele, dizendo o quanto eu não prestava. Esse colega disse que ouviu dizerem que eu era racista, e isso foi dito para colegas negros. Racista? Como? O que mais diziam? Eu não sabia, quem sabia não me dizia nada… Era difícil acordar todo dia de manhã para ir até a aula e enfrentar aqueles olhares, os risos, os cochichos. Passavam por mim como se eu não existisse, mas eu enfrentei, descobri dentro de mim uma força que nunca imaginei ter. Um tempo depois o fulano me procurou, disse que queria conversar. Eu topei, afinal já fazia um tempo que sua namorada, a minha amiga não falava comigo, ela deletou a mim e as nossas amigas das redes social, e não nos atendia, simplesmente sumiu de nossas vidas. Fiquei curiosa para ver quais explicações ele me daria, o que disse pra ela?  E para a sala toda? Na hora de ir embora ele fez exatamente como da outra vez, pegou o mesmo ônibus que eu; ele não falava coisa com coisa, não me deixava falar, eu simplesmente não estava entendendo nada… Até que começou a me falar uma monte de nojeiras, disse que poderia facilitar minha vida na sala de novo, se eu fizesse algo… Ele abriu a calça e me mandou por a mão; eu paralisei, mais uma vez fiquei sem reação, lembrei de coisas ruins que já me aconteceram, lembrei dos julgamentos, dos olhares, do quando era ignorada, do quanto estava difícil, e fiz. Cheguei em casa com nojo, vomitei, chorei, me senti suja, culpada, procurei uma amiga, contei pra ela que fulano tinha me procurado e me falado um monte de nojeiras. Não pensei que ela fosse levar a sério, e falei que apesar de “engraçado” eu me senti mal, mas ela levou a sério apesar de não saber o que de fato aconteceu, pois não tive coragem de contar. Ela me disse que ele não tinha esse direito, que eu deveria procurar a polícia, e pedir uma medida de restrição que fosse, mas não fiz nada, voltei pra aula acreditando que algo poderia ter mudado, mas, nada. Tudo igual, continuava tudo exatamente igual, o fulano nem olhava na minha cara, passava por mim ria, uma vez me encostou na parede e disse: “gozei na sua mão” e ria. Eu já estava entrando em depressão, mas aguentei firme. Um dia encontrei a minha ” amiga” namorada dele na rua, ela me xingou, fez um escândalo, me chamava de nomes feios, disse que eu era traidora, que eu era um lixo, disse que o namorado e ela conversou com todo mundo na minha sala. Olhou bem na minha cara e disse, “eu tinha a senha do seu MSN, lembra?” Acabou em polícia, ela me ameaçou, minha mãe soube e me levou para fazer um B.O, fiz o B.O, mas fiquei com aquilo na cabeça. Ela tinha mesmo minha senha do MSN, era minha amiga a muito anos…   O que eles fizeram? Mais tarde soube que foi mostrada a algumas pessoas da minha sala conversas “minhas” com ela, a namorada do fulano, onde eu dizia ter ficado com um garoto da nossa sala, mas eu nunca fiquei com ele… Eu tinha fama de mentirosa, louca, racista e sabe lá Deus o que mais… Eu não queria mais saber, se não ficaria louca… Depois de um tempo as coisas melhoraram e, apesar de ser tratada como um lixo, um nada por uma parcela da sala, eu concluí meu curso. Acredito que hoje talvez algumas dessas pessoas tenha notado quem é esse fulano, pois pessoas doentes assim não fazem um inferno da vida de só uma pessoa, sempre vai aprontar mais e mais por aí. Nunca nenhum deles chegou a mim para perguntar se o que, seja lá o que for, esse fulano falou era verdade ou não. Simplesmente era mais fácil me tratar como um bicho. Eu nunca entendi esse misto de ódio e obsessão que aquele fulano tinha por mim. Depois de alguns anos terminado o curso, mais uma vez ele me procurou, tentou me adicionar no Facebook, me mandava mensagem, eu ignorei. Recentemente ele tentou de novo, isso foi um mês atrás, mas diante de minha recusas me mandou um áudio me xingando, tentando me ridicularizar; áudio que eu tenho guardado, para se um dia precisar entrar na justiça. Tenho mensagens também, e até bilhetes que ele me mandava durante a faculdade. Achei esses bilhetes por um acaso, não sei como não joguei fora, pois na época eu era só uma garota de 18 anos, não entendi a gravidade do abuso, a perseguição. Gostaria de olhar nos olhos de todos que aplaudiam enquanto me viam queimar, e perguntar onde estava a graça, será que achariam engraçado hoje? E se souberem que graças ao que me fizer passar, fui abusada dentro de um ônibus pelo querido da sala, o meu algoz. Às vezes encontro minha ex-amiga e ex-namorada do fulano na rua; tenho vontade de chamá-la para conversar, contar tudo, mas não sei… Não tenho raiva dela por ter ficado do lado dele e tê-lo ajudado a me destruir; ela foi tão vitima quanto eu, ela tinha apenas 17 e ele 28. Hoje sou mais velha, mais forte, não tenho mais medo dele, nem aguentaria um possível abuso calada, não mais!