Assédio em um estabelecimento religioso – 704

704 – “Venho aqui fazer uma reportação sobre assédio em um estabelecimento religioso, o qual muito me decepcionou. Somos sempre tão educadas a subestimar os assédios, que demorei cerca de 5 meses para finalmente mandar um e-mail à presidência da FEESP (Federação Espírita do Estado de São Paulo) denunciando o ocorrido.

Eu estava entrando no estabelecimento para fazer um trabalho voluntário, estava vestindo calça jeans, camiseta e tênis. No balcão de atendimento, além do trabalhador da casa, encontravam-se outros 3 ou 4 rapazes – impossível dizer se eram ou não trabalhadores voluntários como eu ou apenas frequentadores. Foi quando um deles, olhando-me passar, proferiu em alto e bom som, sem qualquer intuito de discrição “Olha, que coisinha linda”.

Todas vocês, meninas, devem saber que quando somos assediadas por um homem e ele encontra-se em grupo, nossa acuação se multiplica exponencialmente, sentimo-nos completamente indefesas. Se fosse na rua, eu talvez tivesse dito algo, mas ali, foi tamanha a minha surpresa, que fiquei quieta e, como sempre tendemos a fazer, pensei umas duas ou três vezes se não seria exagero meu ficar indignada, repassando a frase mentalmente, tentando encontrar alguma inocência no “elogio”. O trabalhador que estava no balcão obviamente escutou, assim como outras pessoas ali, mas todos pareceram tratar aquilo com tanta naturalidade quanto tratariam se fosse na rua. Percebi que não estamos a salvo em lugar nenhum e, mas uma vez, me senti violada por muitos.

Depois de entrar em contato com todos os depoimentos desta página, foi ficando cada vez mais claro para mim o absurdo da naturalidade com a qual tais assédios são vividos pela sociedade. Eu me recuso a vivê-los dessa maneira.

Hoje decidi mantar uma carta à presidente da FEESP, a qual, por ser mulher, acredito que compreenderá minha reclamação e espero, se atentará para que tal situação seja inibida dentro da casa. Aproveitei para convidá-la a acessar esta página, a fim de que ela conheça outros depoimentos e tome consciência, caso ainda não tenha, da gravidade de tais assédios em nossas vidas.”