Assédio no Carnaval – 702

702 – “O relato a seguir não aconteceu comigo (pelo menos, não diretamente), mas sim com amig@s meus. Ocorreu no carnaval de Salvador do ano passado, o que não justifica de maneira alguma os assédios, apesar da mania que algumas pessoas têm de só observar o lado “pegação” da data. Estava com um amigo e uma amiga. A sexualidade de ninguém é relevante nesse caso (e em nenhum outro), mas o meu amigo, na época com 15 anos, atrai a atenção de meninos e meninas. Já estávamos no carnaval há um bom tempo, e já ligeiramente bêbados, resolvemos andar pelas outras ruas por conta da movimentação da rua principal (me desculpem a falta de detalhes, não sou de Salvador). Enquanto passávamos, reparei que minha amiga recebia cantadas de VÁRIOS HOMENS agindo de forma obscena, falando coisas sexuais e pegando nos pênis. Chegou uma hora que me irritei de verdade e fui exigir da minha amiga que retaliássemos, mas ela disse que nem tinha percebido, então deixei pra lá. Encontramos um lugar relativamente “calmo” (a rua estava lotada de gente, mas estava levemente mais vazia que as outras) e ficamos por lá mesmo, eu preocupado em não deixar a minha amiga sozinha, até que ela encontrou um amigo de SP bastante respeitoso e ficou com ele.  Para não atrapalhá-los, eu e meu amigo fomos até uma barraquinha de bebida e compramos duas caipiroscas. Cada um de nós bebeu uma, passamos meia hora fazendo amizade com um pessoal, depois compramos outra e resolvemos voltar. Meu amigo então some por alguns minutos – demorei pra notar por conta da bebida. Continuei andando, até que ele volta até mim, todo nervoso, e me explica o que aconteceu: uma parte da camisa dele se enganchou no adereço de um cara, que se aproveitou da situação passando a mão nas partes íntimas dele, falando coisas obscenas e beijando-o a força. Meu amigo se debateu e não conseguiu se libertar, até que dois caras, percebendo o que estava acontecendo, interviram. Na época, não me importei como deveria, mas, com o tempo, notei o absurdo de ambas as situações. Apesar de adorar carnaval, esse ano fiquei com o pé atrás, por conta desses incidentes. Por sorte – e apenas por isso -, meus amigos não ficaram intimidados nem traumatizados, apenas surpresos e cientes da realidade machista que nos cerca, que torna um risco (para todos, não só mulheres) o simples ato de sair para aproveitar um feriado.”