Cantada 019

• 19 – “Já passei por muita situação sozinha, mas a pior mesmo foi justamente quando estava com meu namorado, que é estrangeiro. Estávamos no metrô absurdamente lotado no Rio e eu passei a viagem toda quase desmaiando por falta de ar de tão cheio que estava o trem, daí não prestei muita atenção ao que acontecia atrás de mim. Durante a viagem senti várias vezes umas cutucadas na minha bunda, mas achei que era a pasta ou bolsa de alguém – afinal, estava tão apertado que não dava para se importar com essas coisas, e nem tampouco mudar de lugar. Só quando eu estava prestes a sair, quase desmaiada de falta de ar é que meio que voltei a mim e percebi o que acontecia: o cara de trás estava enfiando a mão na minha bunda, por debaixo da minha saia. Na última vez ele meteu toda a mão, segurando minha bunda por completo, quase metendo o dedo na vagina. Quando contei para o meu namorado o que ele tinha feito, ele me disse que o cara passou a viagem toda encarando ele e no final deu um risinho. Morremos os dois de ódio, e eu só pensava em matar aquele verme, e nos sentimos pior ainda porque, no trem lotado, se tivéssemos nos dado conta e reagido, teríamos provavelmente provocado um empurra-empurra que poderia até ser trágico. Isso me fez sentir ainda mais impotente e com ódio.”  [Olivia]