Cantada 026

26 – “Estou feliz em encontrar essa página e poder dividir o que aconteceu comigo há alguns meses atrás. Na época comentei com a minha mãe, irmã e colegas do trabalho, para minha felicidade todas entenderam e deram apoio a minha atitude, mas para minha tristeza eu percebo que é algo que incomoda, mas ninguém faz nada por medo ou então por pensarem que nada vai mudar, enfim. Moro na Argentina há mais de dois anos, os portenhos particulamente são bastante xavequeiros e gostam dessas “cantadas” principalmente quando percebem que é brasileira. Estava no elevador da empresa conversando com outra amiga brasileira, bom se ela fala o mesmo idioma para que gastar meu espanhol? Entraram dois senhores e após uns segundos perguntaram se éramos brasileiras depois do nosso sim um dos senhores disse: Tinham que ser brasileira, tão lindas. Ficamos sérias e por sorte logo descemos. Por infelicidade encontrei esse senhor outras vezes e todas as vezes ficava no canto do elevador enquanto ele dizia que era muito bonita, que as brasileiras eram assim, nunca estive numa situação tão desconfortável, não sabia como reagir. Até que um dia que estava muito irritada quando usto entra esse senhor acompanhado de outro me e fala para o amigo: está vendo que linda que é? É brasileira. Não aguentei. Me aproximei para causar intimidação por sorte tenho 1,72m (sou alta para a média argentina) disse: Mais respeito, por favor. Nunca te dei liberdade para isso. Apesar da atitude sentia meu corpo todo tremer. O senhor com um sorrisinho no rosto que só de lembrar me dá muita raiva ainda retruca: Mas você é bonita, não é? Se sou ou não, não te dá o direito de dizer o que pensa. Respeito, isso é assédio eu sei em qual andar trabalha e chamo a polícia. Por fim ele se calou e o que o acompanhava pediu desculpas e que não precisava tanto, tivemos um breve silêncio, depois desceram. Não precisava tanto, é mesmo? Se sentir coagida, no canto de um elevador empresarial enquanto um homem te olha de uma forma horrível e diz “educadamente” que você é bonita é normal? Então para o mundo que eu quero descer.”   Patricia.