Cantada 027

27 – “Fui muito assediada quando criança, pelas próprias crianças da minha rua. Tentavam me beijar à força, passar a mão em mim, no meu peito (nem tinha seio ainda direito), minhas pernas, minha bunda. Eu vivia com medo, fugindo dos meninos. Isso porque estou falando de meninos de 10, 11 anos…  Mas antes disso eu ja tinha tido problemas. Uma vez eu cheguei a ser atropelada, aos 8 anos, porque fui à papelaria perto de casa e tive que atravessar a rua só para desviar de uns mecânicos que ficavam tomando gosto comigo (com 8 anos. OITO!!!!). Outra vez, aos nove, aconteceu a situação mais amedrontadora da minha vida. Eu ia ao comércio (de calça jeans e camiseta) e um rapaz me parou p pedir informação. Eu dei a informação que ele queria e segui em frente. Quando voltei, ele ainda estava no mesmo lugar e me chamou de novo, começou a puxar assunto, perguntando coisas sobre a escola, se eu gostava de desfiles, etc. Eu, inocente, fui respondendo, até perceber que ele tentava sutilmente colocar o braço sobre o meu ombro, e me conduzindo ao outro lado da rua, onde tinha um matagal. Nessa hora eu percebi que alguma coisa estava errada e disse que precisava ir logo pra casa porque meu pai estava me esperando com as compras. Então ele se despediu me abraçando, e começou a tentar me beijar, me puxando. Eu consegui me soltar dele e saí correndo, ainda consegui ouvir ele sorrindo e me chamando de “gracinha”. A sorte é que isso aconteceu bem na esquina da minha casa. Por causa disso eu passei muito tempo com medo de sair sozinha na rua. Depois de alguns anos, (já com 12) eu passava por uma esquina próxima e ouvi alguém chamando meu nome. Quando olhei para cima, era o mesmo rapaz, trabalhando numa construção. Fiquei apavorada, tinha medo de que ele estivesse todo esse tempo me observando, esperando eu crescer, sei lá. Todas essas coisas me tornaram uma pessoa bastante insegura em relação aos homens. Tinha medo de deixar alguém se aproximar, por medo de que tentassem alguma coisa dessas. Até hoje tento manter certa distância quando percebo que alguém pode estar interessado em mim, é muito difícil conseguir dar confiança. Isso, agora aos 30 anos, ainda tem atrapalhado bastante meus relacionamentos…  Isso não deixa de ser um exemplo do quão maléfica é essa atitude nojenta desses homens. Não é brincadeira. Nunca vai ser.”  [Tereza]