Cantada 035

35 – “Um dia estava indo para o ponto de ônibus para ir pra casa e tinha um caminhão estacionado na calçada, e o motorista estava saindo, eu, exercendo meu direito de ir e vir estava passando ao lado dele e ele achou que seria legal tentar apalpar meus seios. Percebendo isso, rapidamente dei um pulo pra trás e muito atordoada gritei. O “gentil” senhor simplesmente me olhou e riu. Foi a risada mais sínica que eu já ouvi e ele me olhava como se eu nem fosse um ser humano. Pequei meu ônibus trêmula, assustada e me sentindo um pedaço de nada. Existem pessoas que acreditam que têm o direito de tocar no meu corpo sem que eu tenha dado consentimento. Dá medo saber que eu estou rodeada de gente assim. Não me sinto elogiada, nem desejada. Me sinto desrespeitada, invadida e violentada.”  [Aline]