Cantada 068

68 – “Quando eu tinha 7 anos eu passei por um evento que me deixou com traumas até hoje e gostaria de compartilhar com vocês. Pois bem, eu e minha mãe tínhamos ido a uma padaria e eu comprei um pirulito. Quando estávamos voltando para o carro, minha mãe foi andando mais rápido pois estava carregando várias sacolas, enquanto eu fui desacelerando o passo porque estava concentrada tentando abrir o pirulito. De repente, ouço minha mãe gritar meu nome. Pensei que ela estivesse apenas me apressando, por isso nem tirei os olhos do pirulito e pedi que ela esperasse. Mas de um gritinho aparentemente despretensioso minha mãe começou a berrar desesperadamente. Foi aí que eu levantei a cabeça para olhar pra ela – e eu confesso que ia responder algo “manhê, estou tentando abrir o pirulito, espera aí!”, vejam a ingenuidade – quando eu vejo um mendigo correndo loucamente na minha direção com o pênis para fora. Eu nunca tinha visto um pênis, obviamente, acho que nessa idade ainda nem sabia o que era sexo, pra falar a verdade. Quando eu vi aquilo e minha mãe berrava, eu joguei o meu pirulito no chão e corri desesperadamente para o carro. Minha mãe estava em pé, segurando a porta de trás para eu entrar. Assim que eu entrei minha mãe entrou também e fechou a porta correndo. Por SEGUNDOS eu não fui sequestrada/estuprada/assediada ou sabe lá o que poderia ter acontecido. Só sei que assim que a minha mãe trancou a porta do carro, o mendigo, que era um senhor, já estava socando o carro, dando murros, gritando coisas como “me empresta ela, porra, eu quero experimentar essa bucetinha doce e cor-de-rosa, eu quero meter nela”. Eu não sabia o significado de metade das coisas que ele disse, mas meu coração doía de medo. Agora, posso contar uma coisa pra vocês? Até hoje eu tenho medo de qualquer mendigo que eu vejo na rua. Qualquer um. Me dá um mal estar e eu faço de tudo para desviar e ficar o mais longe possível. E pior, desde esse acontecimento sempre que eu tenho algum tipo de pesadelos, é com mendigos de rua mesmo. Algumas pessoas acham meio engraçado, mas foi algo que aconteceu quando eu tinha 7 anos e desencadeou um trauma presente em mim até hoje, tenho 19. E sinceramente, não acho que vai desaparecer tão cedo, SE desaparecer. (Tenho outros relatos chocantes pra contar, infelizmente, acho que todas nós temos uma coleção particular. Depois vou compartilhar mais alguns desconfortos.)  Amanda”