Cantada 070

70 – ” Bom, curto a página há pouco menos de uma semana e depois de ler tantos casos e exemplos. Resolvi compartilhar um caso particular meu também. Por favor, me identifiquem como E..         Desde que eu tinha uns 11 anos minha mãe me mandava ir ao mercado, geralmente na hora do almoço para comprar “mistura”. No geral, eu sempre ia ao mesmo mercado, então todos os funcionários já me conheciam, até porque era pertinho de casa. Quando eu tinha 13 anos, entrou um açougueiro novo lá. Ele era um rapaz bonito, devia ter mais ou menos uns 30 anos. O açougue desse mercado ficava bem nos fundos, escondido pelas prateleiras e pilhas com os produtos. E como de costume, todos os dias eu ia até a parte do açougue. Na primeira vez, ele me tratou com extrema simpatia, disse que eu era uma menina bonita, perguntou meu nome e minha idade. Na época eu respondi, era bem ingênua, nem sequer havia tido meu primeiro beijo, não vi maldade em lhe dizer meu nome e minha idade. Ele riu diante da minha resposta e me olhou de baixo em cima. Me senti mal, parecia que ele estava olhando por baixo da minha roupa. Saí apressada, enquanto ouvia ele me chamar de “linda”. Não contei nada a minha mãe, por isso os dias que se seguiram, tive que voltar lá. Eu sempre ia de cabeça baixa, tentando ser o mais breve possível e ele ficava fazendo perguntas do tipo “onde você estuda?” “mora aqui perto?” e eu sempre fingia não ouvir e nunca respondia. Até que um dia, eu fui até o açougue como de costume e pedi a carne. Ele fez o trabalho dele: cortou, colocou na sacolinha, pesou. Mas ao invés de me entregar a carne por cima de balcão (que era o que ele deveria fazer), ele deu a volta e veio em minha direção. O mercado estava vazio. Só tinha eu e ele ali e a menina que ficava no caixa estava lá na frente. Gelei e petrifiquei. Ele estendeu a mão me dando a carne, quando eu estendi a minha mão para pegar o produto, ele me agarrou e tentou me beijar. Senti a barba dela roçar no meu pescoço e os braços dele em volta do meu peito. Eu era magrinha e ele era bem mais forte, mas eu fiz toda a força que eu tinha para me desvencilhar dele. Ele fez “shhii quietinha”, me apavorei, achei que ele fosse me levar para trás do balcão e fazer alguma coisa comigo. Comecei a fazer ainda mais força e a gritar ” me solta, eu quero sair!”. Como eu estava com as pernas soltas, comecei a dar chutes no ar, o que fez com que ele me soltasse, provavelmente por medo de que eu o acertasse entre as pernas.Ele jogou a carne no chão. Eu peguei e corri até o caixa desesperadamente, enquanto ouvia ele dizer coisas como “estou te esperando aqui amanhã”. A menina do caixa não ouvira nada, ela estava no telefone com fones de ouvido. Paguei, corri até em casa, mas por medo não contei a minha mãe. Guardei aquilo comigo e só voltei aquele mercado quando soube que ele havia sido mandado embora de lá.         Hoje tenho 19 anos e desde então não consigo entrar em nenhum estabelecimento, seja mercado, farmácia ou qualquer coisa do tipo, se não tiverem mais clientes lá. Tenho medo, muito medo de que essa história se repita e que eu não consiga fugir. Sinto que é algo que levarei comigo por toda a vida.”  E.