Cantada 076

76 – Olá, adorei a iniciativa de vocês! Já passei por muitos casos de abusos na rua, mas o que vou contar aqui, considero o pior deles, pois eu estava acompanhada pela minha irmãzinha, de apenas 5 anos. Na época, meu pai estava num hospital, recuperando-se de uma cirurgia. Como minha mãe estava com ele no hospital e eu não dirijo, tivemos de pegar um ônibus para ir visitá-lo. Eu estava subindo no ônibus quando notei o sujeito que me encarava. Naquela época eu não era envolvida com feminismo, por isso sempre que percebia que um homem ia me encher a paciência na rua, eu abaixava a cabeça e fingia não escutar. Já estava pronta para fazer isso quando ouvi ele dizer “Ô, delícia!”. Não sei o que me aconteceu naquela hora. Acho que foi instinto protetor ou sei lá, mas meu sangue subiu. Pensei comigo mesma, será que nem com uma criança no colo esses caras iriam me deixar em paz? Será mesmo que a minha irmãzinha, tão inocente e tão pequenina, realmente deveria ser obrigada a ouvir esse tipo de coisa desde tão cedo? Que exemplo eu daria a ela se ficasse quieta? Resolvi mostrar a ela que uma mulher deve ser forte. E comecei a gritar com o cara, no meio do ônibus: “Mas será possível, seu babaca, que você não tem um pingo de respeito por mim e pela criança que está comigo?” E a discussão se seguiu. No final o cara pediu desculpas e desceu do ônibus, pelo menos. Desde então, nunca deixei passar uma oportunidade de ensinar a minha irmãzinha a importância de se ser feminista. E ah, nunca mais abaixei minha cabeça ao passar por um homem na rua.  Marina