Cantada 094

94 – Vou mandar dois casos de uma vez. Prefiro ficar anônima, por favor.  1- Em uma pausa no trabalho, fui a um banco resolver coisas. Naquele dia em especial, estava nervosa, com muitos problemas e, no caminho de volta ao trabalho, chorava muito. Só que, no meio da avenida, um carro buzinou, chegou mais próximo à calçada e começou a me seguir – o cara nem se inibiu por estar perto de um ponto de ônibus. E, que já estava transtornada, me senti ainda mais desrespeitada com aquilo acontecendo justamente quando eu estava CHORANDO e comecei a disparar xingamentos em direção ao carro, pra todo mundo ouvir. O imbecil, obviamente, fugiu. Juro que dava cem reais pra descobrir o que estava se passando na cabeça do indivíduo. Podia estar chorando porque alguém havia morrido (o que, ainda bem, não foi o caso) e ele realmente achou que fosse entrar no carro dele?  2- No meu primeiro ano de faculdade, havia um veterano estranho, que ficava o dia inteiro no laboratório de informática. Ainda era a época do orkut, e ele adicionou alguns dos calouros. Até aí, nada demais. Um dia, porém, enquanto eu voltava do xerox, sozinha, ele me parou, olhou de alto a baixo, como se estivesse avaliando um pedaço de carne, e disse que eu era muito bonita. Eu fiquei assustada, por óbvio, e isso transpareceu, porque ele ainda teve a cara de pau de dizer “não precisa ficar assustada”. Um dia depois, ele me manda um depoimento no orkut onde estava escrito “muito lindinha. Quero ver o que está por baixo da embalagem”. Nem preciso dizer que bloqueei o indivíduo na mesma hora. E fiquei com tanto medo de que ele pudesse tentar algo que passei um bom tempo sem andar sozinha pelos corredores do meu departamento.  B.