Cantada 105

105 – “O meu caso não poderia ser chamado de “cantada”, mas acho que vale ser compartilhado também. Eu namorava uma menina na época. Era de noite e nós estávamos com o carro estacionado quase em frente à minha casa, conversando, ela no banco do motorista e eu no do passageiro, com o vidro aberto. Um cara de moto passou por nós, voltou e perguntou onde nós morávamos. Eu, distraída, achei que fosse o guarda da rua e estava quase respondendo “ali atrás” quando ela me cortou e disse “mais lá pra frente”. Nesse momento, ele colocou a mão dentro da jaqueta como se segurasse uma arma e pediu dinheiro. Minha namorada disse que ia pegar a bolsa no banco de trás e, quando ela se virou, ele me olhou e disse pra tirar a roupa e jogar no banco de trás. Ela respondeu “tô pegando o dinheiro, ninguém vai tirar a roupa”, eu travei de pânico e ele ficou visivelmente irritado. Milagrosamente, nessa hora passou um carro rente à janela, ele assustou e subiu na calçada e ela conseguiu colocar o banco no lugar e arrancar com o carro. Ela não sabia andar direito no meu bairro e ele tentou nos seguir, mas felizmente conseguimos “despistá-lo” e ela me levou pra dormir na casa de um amigo. Ao contar pra ele o que havia acontecido, eu não conseguia não rir de desespero. Depois disso, demorei pra conseguir sair de casa e olhar praquela calçada sem sentir medo.”