Cantada 106

106 – Uma noite (cerca de 21h) minha mãe, minha irma (que na época tinha 8 anos) e eu estávamos em um ponto de ônibus. Tínhamos acabado de sair do cinema, onde assistimos a um filme infantil. Tinha outras pessoas no ponto também. Aí apareceu um homem, com cerca de 40 anos, bêbado. Se aproximou de mim, e disse algo que não entendi. Apesar de as vezes ficar com medo de bêbados, eu não os desprezo, então achando que ele tinha pedido uma informação, pedi que repetisse a pergunta. Mas ao invés de repetir, ele começou a querer tirar o pênis para fora da calça. E do modo como aconteceu com a outra moça, fiquei petrificada. Senti meu corpo todo amolecer, pensando ‘não acredito que isso está acontecendo comigo’. Porque sempre que eu me imaginava sofrendo esse tipo de assédio, me via dando um chute bem no meio das bolas do sujeito. Mas quando isso aconteceu, não tive nenhuma reação! NENHUMA! Aí só consegui me afastar, junto com minha mãe e irmã. E ele insistia, vindo atrás de mim, querendo encostar em mim. Várias pessoas no ponto e ninguém se disponibilizou a ajudar. Aí minha mãe ligou para a polícia, falou que tinham crianças no ponto e um homem ameaçava mostrar as genitálias para nós. Ficamos mais meia hora no ponto. Ninguém veio. Ficamos com medo de seguir em frente, ir para outro ponto e ele nos seguir. Por fim, depois de pelo menos 10 minutos nos incomodando, ele deitou no chão e dormiu. Até o nosso ônibus chegar, ninguém no ponto (nem os homens que ali estavam) quis nos ajudar e nem a polícia, que disse que viria, apareceu. Naquele dia, e até hoje, eu sinto muita raiva de mim por não ter conseguido reagir. Por não ter chutado aquele nojento e jogado ele no meio da avenida. Não sei se psicólogos sabem explicar. Por que será que ficamos sem reação?  Cris