Cantada 107

107 – Quando eu tinha 17 anos e voltada da escola para casa, devia ser 20h, eu passava por uma rua que justo naquele momento não estava muito movimentada. Eu vi que havia um senhor de cerca de 55 ou 60 anos do outro lado da rua. Eu segui andando porque não pensei que alguém daquela idade faria algo. Mas ele atravessou a rua, e bloqueou meu caminho, ficando bem a minha frente e disse: não grita! Eu não reparei se ele estava com o zíper aberto ou não, só que é obvio que ele não queria simplesmente me dizer olá. Eu simplesmente corri, para trás, voltando de onde eu vim e gritei por socorro. Corri e gritei. Nem olhei para trás. Na hora uma van cheia de gente passou e o motorista parou para perguntar o que houve. Nem tive tempo de responder, pois por sorte passou uma viatura da polícia. O policial só perguntou “para onde foi?”, e eu disse para lá, apontando. Provavelmente pensou que era assalto. Mas nem me perguntaram como a pessoa era! Iam buscar pelo vento? é obvio que mesmo encontrando a pessoa certa eles não suspeitariam de alguém daquela idade. Eles sequer sabiam o que o cara tinha feito! E não me surpreendi ao encontrar o mesmo homem alguns dias depois na rua. Não sei se ele lembrava de mim, eu acho que sim. Mas eu não abaixei a cabeça, era dia, rua cheia. olhei bem no olho dele. E isso se repetiu muito, porque acho que ele morava por ali mesmo. Alguns anos depois me mudei. E eu simplesmente ficava pensando que sequer poderia ir a uma delegacia, já que ele nada fez, eu não sabia seu nome, onde morava, só poderia encontrá-lo por acaso. Eu sempre fiquei imaginando se ele fez alguma vítima depois, se ele estuprou alguém, só porque eu não pude denunciá-lo. Eu nunca falei isso ninguém além do meu namorado da época. Não contei para meus pais porque sabia que eu levaria a culpa.  L.