Cantada 109

109 – “Era noite e eu voltava da minha aula de balé. As únicas pessoas no ponto de ônibus éramos minha mãe e eu. Foi quando parou um carro bem em frente a nós, buzinou e eu, devido ao costume, olhei. O motorista, sozinho no carro, mandou um beijo e falou meia dúzia de palavras que não consegui distinguir na hora (ainda bem). Eu tinha 10 anos de idade. Mas essa não foi a primeira vez. Quando eu tinha 9 anos, meus vizinhos resolveram fazer uma obra na casa deles que interferiu no muro da minha casa. Eles mandaram os pedreiros para ajeitar o nosso muro e toda vez que eu chegava da escola, os pedreiros paravam de trabalhar pra ficar me olhando. Ninguém nunca notou, a não ser eu, pois eu ficava sozinha com a minha vó em casa durante o dia.”