Cantada 112

112 – É um pouco difícil contar assim, porque essas duas situações foram terríveis e se passaram durante minha infância. Mas acho o trabalho de vocês super importante, e me sinto aqui à vontade para falar dessas lembranças tão ruins e perturbadoras. A primeira delas aconteceu quando eu tinha uns 9 anos. Eu estava brincando com uma amiga na rua, então nós resolvemos usar um telefone público para passar trotes, sabem como é né? Brincadeira de criança. Então chegou um homem de uns 40 anos atrás da gente. Nós dissemos que ele podia usar o telefone, afinal de contas não estávamos usando. Quando fomos nos afastando ele soltou a seguinte frase “Vocês devem ter um peitinho bom pra chupar” , exatamente nesses termos, nunca vou me esquecer. Foi nojento. Eu e minha amiga corremos muito e, apavoradas, fomos embora. A segunda foi uma vez em que eu fui participar de um evento religioso em um distrito da minha cidade e fiquei na casa da moça que trabalhava na minha casa na época. Eu tinha quase 10 anos. Essa moça tinha vários irmãos, e de dia um desses irmãos estava com um amigo no quintal da casa. Quando eu passei por eles o tal amigo disse “ta filé, hein?” Eu, de tão inocente, nem entendi e saí de perto. Mas a noite quando tomava banho, levei um susto: o sujeito estava na janela do banheiro me olhando. Fiz maior escândalo, berrei à minha mãe até que ela fosse lá. Chorei muito, e fui para casa assustada. Foi uma cena terrível e eu não consigo esquecer.