Cantada 119

119 – Parabéns pela iniciativa de vocês! Desmistifica o ideia de que adoramos cantadas na rua e expõe que esse assédio moral é mais comum do que se pensa e que sim, nos afeta! E não provém só de psicopatas e pessoas sem instrução como tem gente que insiste em dizer. Quem pratica é o pedreiro, o médico, o universitário, gente da PM, o padeiro… Tenho muitas histórias parecidas com as que já contaram por aqui: já fui seguida e fechada por carro, já me oferecerem dinheiro pra entrar em um, mostraram pênis, já reagi negativamente à cantada e fui seguida ouvindo insultos até minha casa, já me tocaram sem consentimento… Vou contar minha experiência de quando comecei a trabalhar em uma empresa grande, com a esmagadora maioria de funcionários do sexo masculino, no turno da noite, como gerente do refeitório. Logo no primeiro dia, quando saí de trás do balcão e tive que me dirigir ao outro lado do refeitório pra resolver uma situação, tive que lidar com homens falando coisas degradantes, fazendo piadinhas, batendo as bandejas na mesa, olhando daquela forma nojenta… Era muita gente (em bando, a coragem aumenta) e não tinha o que fazer. Supervisores ali no meio e ninguém tomou atitude nenhuma em relação a uma postura, no MÍNIMO, anti profissional. Senti-me mal e desrespeitada, e nos dias em que não estava muito bem emocionalmente, evitava sair de trás do balcão. Por que isso ainda é tão normalizado na nossa sociedade?