Cantada 121

121 –     Aos 18, voltava pra casa sozinha no início da madrugada, numa região que considero segura. Nunca havia sido abordada de forma violenta na rua, tirando os típicos assédios rotineiros, mas foi a partir desse dia que a prendi que, infelizmente, mulher tem toque de recolher.      Descendo uma avenida que estava vazia e escura, um carro caro e com vidros muito escuros desacelerou e começou a me acompanhar, entrei em pânico, comecei a andar rápido. Ele me assediou, ignorei. Perguntou quanto eu queria para entrar no carro, balancei negativamente com a cabeça sem fazer contato visual, ele disse que me dava a quantia que eu quisesse.      Ele acelerou para despistar a abordagem, pois outro carro passou ao lado, mas deu a volta no quarteirão e novamente me abordou. Dessa vez, falou mais alto e de forma mais violenta, mandando que eu entrasse no carro. Não conseguia pensar, não conseguia responder, apenas andei ainda mais rápido (sem correr, por medo do dito popular ‘se correr o bicho pega…’). Outro carro passou, novamente ele despistou.      Entrei em pânico sabendo que ele faria a volta, nunca corri tão rápido na minha vida, por sorte estava perto de casa. Entrei correndo no prédio, só deu tempo de ver, que mais uma vez, ele estava passando por aquele trecho, me procurando…      Não quero nem imaginar o que me aconteceria na terceira abordagem…     Desde então, evito sair sozinha a partir de 19h, ando me “tampando”, olhando pra baixo, andando rápido.      Thaís Guimarães