Cantada 123

123 – Parabéns pela iniciativa da página! Eu tinha aproximadamente 19 anos, e cursava o último ano do ensino fundamental em um colégio técnico, o curso era noturno. Todas as noites, no mesmo horário (aproximadamente as 23h30) eu descia do ônibus na esquina da rua onde moro e meu pai me esperava no portão, justamente naquele dia, ele cochilou e perdeu a hora … Desci, como de costume olhei para todos os lados, e ano final da rua, atrás de mim, vi um rapaz caminhando, não dei muita importância, pois aquele era um horário em que alguns estudantes do bairro desembarcavam, então, continuei a caminhar, mas senti um gelo no coração quando não vi meu pai no portão, a noite estava fria e a rua deserta … parecia que eu estava pressentindo algo. Quando já estava na metade do caminho, o rapaz que eu havia visto tão longe, já estava atrás de mim, eu não entendia como ele tinha caminhado tão rápido e eu não tinha ouvido nada, acreditem, foi em fração de segundos … ele me segurou pelo braço e disse: – Quero te conhecer melhor! …, como sou um pouco estourada, eu puxei meu braço com muita violência, engrossei a voz e gritei: Saiii de perto de miiiimmmm …, aquele grito, acordou até defunto, todos os cachorros da rua começaram a latir ao mesmo tempo e eu me sentindo “poderosa” exalei valentia e ameacei ir para cima dele, o cara arregalou o olho e correu, correu mais rápido do que na hora em que ele correu para se aproximar de mim, ele jamais imaginaria que eu fosse reagir e principalmente, daquela forma … Mesmo obtendo êxito na minha reação eu não conseguia se quer colocar a chave no portão para abri-lo e quando finalmente entrei, desabei a chorar pensando no que podia acontecer se ele estivesse armado e resolvesse revidar, me dando uma facada, atirando ou algo assim e o que leva uma pessoa a pensar que ela tem o direito de fazer isto com outra … Meu pai, coitado, queria sair para procurar o cara, mas foi tudo tão de repente, que não me lembro de um traço do rosto dele … Já aconteceram outras coisas comigo, do mesmo gênero, e eu reagi da mesma forma, espontaneamente, sem pensar e com agressividade. Não sei se é certo e nem recomendo que ninguém faça o que eu fiz, principalmente porque a situação não estava ao meu favor, mas de certa forma foi bom, porque tenho certeza de que se aquele cara pensar em fazer aquilo com outra pessoa outra vez, ele refletirá 1000 vezes antes … P.S.: Mesmo com o berro ensurdecedor, nenhum vizinho colocou se quer a cara na janela, mas no outro dia comentaram um com o outro que ouviram alguém gritar … povo egoísta!  Eli