Cantada 127

127 – Não consigo lembrar desde quando eu sofro assédio de rua, não só as “cantadas”, mas situações completamente nojentas e absurdas. Entre as que lembro agora pra mostrar estão um menino da minha escola de inglês tentando arrancar minha blusa na biblioteca da minha escola de inglês e falando “nem queria ver essa tábua mesmo!” quando eu tinha apenas 8 anos. Quando tinha 13 estava indo pra escola meio dia numa avenida movimentada quando um “homem” (animal né) de bicicleta tacou a mão na minha bunda tão forte que passei o resto da tarde com dor. Quase fui atropelada atravessando a avenida correndo, e na esquina fui abordada por uma mulher aos prantos, pois tinha sido vítima do mesmo cara. Nessa mesma avenida um tempo depois tinha um cara se masturbando num canto, e gritou pra eu chegar lá. Houve também quando eu tinha 11 anos um tarado que entrou na minha escola e veio mostrar um catálogo de sex shop para mim. Os guardas da escola, que já tinham sido incompetentes deixando o cara entrar, ainda deixaram ele sair, mesmo após minha mãe tê-lo denunciado. Esse mesmo cara foi preso na semana seguinte por mostrar um vibrador pra minha amiga num supermercado.  Essa semana mesmo, ao andar na rua logo atrás de outra meninas, passaram dois cara e falaram em voz alta “nossa, comia qualquer uma das duas”. 11 da manhã isso. Não tem hora, nem lugar, e nem importa como se está vestida. Também já cansei de dar cotovelada em barriga de engraçadinho que resolve me encoxar em balada.  O mais triste é as pessoas acharem que mulher que reclama disso é fresca, que isso é apenas um elogio. Não sei como ser considerada um objeto que está lá pro bel-prazer de qualquer um é elogioso.