Cantada 129

129 – Olá, que ótima página, isso desconfigura a ideia que as pessoas tem de que nós mulheres gostamos de assédio, e de que assédio sexual é a mesma coisa que elogio. Uma coisa é alguém dizer que você tá bonita, outra coisa é alguém te chamar de gostosa.     Mas bem, eu moro no Rio de Janeiro, e uma vez precisei passar por um lugar que estava lotado, tava tendo um show ali perto, aí eu fui obrigada a passar por aquela rua pois era a única que dava pra ir na casa de uma amiga, tive que passar um pouco no meio das pessoas, mas tentei ir pelo lado menos abarrotado de gente. Então foi que puxaram o meu cabelo, seguraram no meu braço. E eu estava com a minha prima, quase me perdi dela, e o cara começou a falar um monte de coisas pra mim, e eu comecei a gritar ”Me larga! Me larga, seu estupido, tá me machucando” e ele não me largava, eu sou uma guria alta, eu tenho 1,78 e mesmo assim não tive nem como me soltar sozinha daquele cara. Ele ficou segurando pelo meu cabelo e pelo meu braço, consegui soltar o braço e a minha prima voltou pra me ”defender” e começou a me puxar pelo braço e dizer ”Solta ela, solta ela” e aí ele me abraçou, sei lá, imobilizando meu braço, e todo mundo olhando aquilo como se fosse ~~normal~~ um carinha simplesmente agarrar uma garota assim. Aí, eu pisei no pé dele e dei um beliscão, consegui sair, mas ainda sim, antes de sair, ele puxou meu cabelo novamente. Nossa, fiquei indignada, além de não poder mais ir em festas, não se pode nem mais passar perto delas que você não tem sossego. Não se pode sair arrumada mais na rua pra se sentir bem consigo mesma que tem sempre um idiota. Nesse dia eu me toquei que se você depender dos outros pra te defender, bom, você não terá, pois eles acham isso completamente normal, e que se mulher não quer ser assediada, que saia como uma muçulmana.   Évelyn