Cantada 152

152 – Até meus 15, 16 anos quase não saía sozinha, sem que meus pais me levassem e buscassem. Um dia, aniversário de uma amiga, fomos ao shopping direto da escola, e voltamos todos juntos de metrô, mas daí em diante cada um foi para um lugar. Estava sozinha na fila do ônibus, por volta de umas 18h, e tinha um cara mais ao final da fila me olhando. Incomodada, olhava para os outros lados, mas sentia que ele me olhava. Quando virei pela segunda vez, ele sorriu – desviei rápido o olhar. Depois de um tempo, fui ver se ele estava ali, ele fez com a mão um sinal de “vem cá”. Assustada, mudei de fila, para pegar outro ônibus que nem para tão perto da minha casa, mas que já estava para partir. Foi quando ele apareceu entre mim e o ônibus. Fiquei em choque, saí correndo, ainda dando tempo de ouvi-lo perguntar “poxa, você não vem?” . Na verdade, nem pensei em estupro (tinha sido assaltada há pouco tempo e isso foi menos de um ano depois daqueles ataques de 2006 em SP), fiquei com medo de assalto, sequestro, sei lá do que exatamente, mas entrei em pânico. Entrei em uma banca de jornal, devia estar com uma cara horrível, porque a moça me perguntou o que estava acontecendo, me ofereceu água e um lugar pra eu sentar o tempo que quisesse. Liguei em pânico para meu pai, que foi me buscar. Na hora, ele ainda me acalmou, me mostrou que havia um posto policial bem ali em frente, mas ainda sem saber direito o que havia acontecido. Só mais tarde expliquei direito o que ocorrera, e minha mãe perguntou se ele era velho. Respondi que devia ter uns 20 e poucos anos. Os dois riram. Disseram que ele estava apenas tentando conversar.