Cantada 157

157 –         Tenho dois casos pra contar..          O primeiro eu deveria ter uns 11, 12 anos.. Estava voltando da padaria que fica localizada no centro comercial a umas duas quadras da minha casa. Eu estava de camiseta e saia jeans. Com 12 anos eu tinha corpo de menina, era gordinha, usava aparelho e era meio desengonçada. Não poderia expressar qualquer desejo sexual.          Um homem de uns 40 anos me aborda perguntando se eu sabia o nome de uma determinada rua. Ele estava com um cartão de uma loja. E eu, como boa escoteira que era, fui tentar ajudar o senhor. Disse não saber onde era a rua, mas que provavelmente deveria ser no centro comercial onde estavam localizados todos os comércios do bairro. Ele me agradeceu e eu penso “que legal, ajudei ele”. E eis que ele me diz: “e essa sainha, hein? Tá com fogo? Vem aqui que te lambo todinha.”         Na época fiquei com medo e sai correndo. Hoje eu fico pensando, o absurdo que foi o que escutei com 12 anos. Nem entendia o que ele tava falando, só sabia que era obsceno.          E achando que as coisas estavam melhorando…         Trabalho e estudo, como muitos jovens. Na terça-feira não tenho aula e vou pra casa as 18 horas. Sentei no ônibus em um banco que é mais alto que os outros e com isso a pessoa que está em pé do meu lado fica com a cintura na altura da minha perna. Um cara de uns 20 e poucos, talvez 30 anos, entra no ônbus e fica do meu lado. Bem apessoado, arrumado, cara de gente boa. Eu sentia ele encostando em mim, mas acreditava que era porque o ônibus estava muito cheio e poderiam estar empurrando ele. Levei na boa, pois nao acreditava que tinha maldade. Eis que pego no sono e acordo com o cara se esfregando ‘afu’ em mim. A grávida que estava do meu lado ficou esmagada de tanto que fui pro lado, mas não deu. Ele conseguia se esfregar em mim igual. Olhei pro lado e pensei, inicialmente, que fosse o celular. Mas não era, se é que vocês me entendem.         Olhei pra ele com uma cara do tipo “vou te arrancar as bolas de alicate de unha” e ele desceu na parada seguinte. Hoje, pensando melhor eu acho que deveria ter feito um escândalo, gritado ou qualquer coisa. Mas já estava perto da minha parada e confesso que fiquei com medo.         Eu estava de saia longa indiana.         Pra todo mundo que conto me dizem “te cuida. não vai de saia. não senta no corredor.”         Peraí!!! Eu que tenho que me cuidar, ou o cara que tem que me respeitar?         Tá tudo invertido.