Cantada 161

161-       Apenas para mostrar que homens passam sim por situações parecidas, vou contar algo que passei logo na entrada da minha adolescência que me fez ver o quanto nós homens podemos ser desprezíveis.         Eu, homem, hétero convicto desde pequeno, que havia sido criado da mesma maneira que os outros meninos da minha idade que era normal passar “cantadas” nas meninas e tal, porém era um pouco mais tímido que a maioria, por isso e apenas por isso, não fazia o mesmo que os outros.          Até que com doze anos de idade aconteceu algo que me deu nojo, me fez pensar no que uma mulher (menina, na minha mentalidade da época) sentia quando algo assim acontecia.          Na época, era bem baixinho pra minha idade não chegava a ter nem 1,5 m de altura, saindo da escola onde estudava me dirigi ao ponto onde era acostumado a pegar o ônibus pra casa, enquanto esperava um senhor se sentou ao meu lado e começou a conversar comigo; como teria de esperar um bom tempo comecei a responder tranquilamente até o momento em que ele começou a apalpar a minha perna, a primeira coisa que me passou pela cabeça foi: “que p***a é essa que ta acontecendo?”  Depois veio o pânico, apesar de normalmente ter movimento no lugar, naquele dia não tinha; nessa hora eu paralisei, não sabia o que fazer, jamais teria chances de reação contra um homem adulto; não consegui gritar, a voz sumiu. No momento em que voltei a consciência dei um tapa na mão do cara e me mudei para outro banco, ele se sentou perto de novo, mudei pra outro e comecei a falar em voz alta para que me deixasse em paz.         Nessa hora começaram a aparecer mais pessoas no local, o horário do próximo ônibus estava próximo, e ele desistiu do que quer que fosse que queria.         Passei a ir pra casa a pé, 7 km, porque tinha medo de que acontecesse de novo. Não contei para meus pais, nem pra mais ninguém, só fui falar sobre o assunto muito recentemente com 3 ou 4 meninas por quem tenho a maior consideração.         O fato é que imaginar que as mulheres passam por isso me deixou traumatizado, e até hoje, com 26 anos, fico com receio de dar um abraço ou fazer um carinho, com medo de que possa ser agressivo ou opressor de algum modo, mesmo em amigas intimas, o que dificulta até mesmo os raros namoros.          A única coisa que posso dizer sobre como conseguirem fazer que isso acabe um dia é:         Contem aos seus filhos/amigos/namorados/irmãos como se sentem quando passam por esse tipo de situação. Se não tiverem condições de fazê-lo pessoalmente, mostrem essa página, o material que tem aqui é capaz de abrir os olhos de muitos.         Não tenho mais esse tipo de problemas, são poucos os que tem coragem de mexer com um homem adulto com 1,8 m de altura, mas até hoje me enoja ver que homens, e algumas mulheres, acham que esse tipo de atitude é normal e prova de algum tipo de masculinidade.          Obrigado pela oportunidade de compartilhar…