Cantada 170

170 –         “Eu já fui vítimas desses doentes tantas vezes. Não sou uma pessoa que se expõe, mas sou muito alta e tenho os seios grandes (algo que eu acho horrível e ainda vou tirar na plástica). Sempre tive problema desde a adolescências por conta desses seios, chamava a atenção em demasia dos homens, procurava esconder meu corpo usando roupas largas ou em tons neutros, ficava andando corcunda para dar a impressão de que eram menores. Sou uma pessoa bem reservada e até hoje (aos 22 anos) me visto como alguns dizem “como uma velha”, mas sou feliz assim. Uma vez, aos 12 anos anos, estava no terminal esperando um ônibus com meu pai. Eu tinha ido comprar um algo para comer e meu pai ficou na fila. Quando eu passei por um corredor, que dava acesso à cantina, um homem bem grande e gordo disse algo bem nojento. Acho que falou de uma parte do meu corpo e me chamou de gostosinha. Eu fiquei transtornada e voltei para perto do meu pai, estava com muita vergonha e desesperada. Comecei a chorar baixinho e meu pai preocupado quis saber o que tinha acontecido. Eu estava morrendo de vergonha de contar, na minha cabeça me sentia culpada, suja e horrível pelo que aquele cara tinha acabado de fazer. Eu estava usando uma roupa bem simples, uma calça que nem era justa e uma blusa regata, mas sem decote. Acabei contando para o meu pai o que tinha acontecido e ele saiu louco atrás do homem. O nojento já tinha fugido do local. Foi horrível! Eu era tão nova, ainda brincava de boneca, nunca tinha namorado ou beijado. Nem sabia porque aquele cara tinha dito e feito aquilo.” T. M.