Cantada 176

176 –         Ola! Eu já postei aqui um relato sobre o assédio verbal que eu sofri, claro que tenho muitos outros casos pra contar como qualquer mulher/homem por aqui. Mas tem um que sofri quando tinha uns 9/10 anos na escola em que estudava, que devo ter contado pra um unico amigo e mais ninguem.. Portanto, vou compartilhar com vocês esse episodio que deletei da minha vida a muito tempo e com todos os relatos aqui acabou vindo atona.          Eu estava em uma escola publica aqui da minha cidade, onde eu conhecia praticamente todo os professores e funcionarios.. estudei 4 anos lá. Em especial tinha um funcionario que era um “colega” de meu pai, não muito chegado, mais sempre conversaram sobre algo quando se viam ou quando meu pai ia me buscar na escola. Como eu era criança e meu pai tinha amizade com esse funcionario (que na época era até mais velho que meu pai) eu achei que poderia confiar nele. Então, toda vez que algum aluno perdia alguma coisa na escola, um chaveiro que fosse, ele me chamava e dava de presente pra mim, e eu ficava muito feliz, achando que ele gostava de mim. (Claro que eu era uma criança inocente e nao sabia até que ponto ele poderia “gostar” de mim), mas aí as coisas ficaram frequentes, tudo que me acontecia na escola, ele estava lá me ajudando, me dando presentinhos, etc.. Até que um dia ele me chamou na sua salinha (onde ele guarda ferramentas e tal) e eu fui, quando cheguei lá ele me deu um brinquedinho e uma maçã, eu agradeci e fui saindo da salinha dele quando ele me chamou e disse pra eu sentar comer a maça, claro que não vi maldade nisso e sentei. Quando ele sentou ao meu lado e falou pra eu sentar em seu colo. Fiquei com muito medo mais pensei “ele é amigo do meu pai, não vai me fazer mal” e sentei no seu colo. Comecei a comer a maça quando ele começou a passar a mao no meio de minhas pernas, por cima da minha calça! Fiquei em panico, não tinha nem coragem de me mexer. Levantei rapido e sai sem olhar pra tras depois de alguns minutos e joguei fora aquela maldita maçã!         Passou alguns dias e ele continuo me tratando como antes, me dando as coisas e tal. E eu comecei a ficar com medo dele. E esta ida a salinha aconteceu mais uma vez depois de um tempo. Eu morria de medo de contar a alguem. Mas tirando o fato dele passar a mao entre minhas pernas por duas vezes, nada mais aconteceu. Eu comecei a evitar ele, e ficar afastada com outros amigos pra que ele nao se aproximasse. Tinha pena do meu pai conversar com ele, mas também não tinha coragem de contar nada pro meu pai sobre isso.         Diferente da maioria dos casos por aqui, eu acho que se tivesse contado algo para o meu pai, a reação dele seria de raiva e iria na hora brigar com o sujeito.. até pq entre dois irmãos mais velhos, eu era menina e a mais novinha, isso seria um terror para meu pai. Enfim, apesar da pouca idade, não me deixei traumatizar por isso, tive uma vida normal como qualquer criança.. Bloqueei totalmente esses momentos que passei com esse cara para não sofrer mesmo, não levei nenhum trauma comigo a não ser a vontade de socar qualquer cara que me desrespeitasse. Cresci com isso na cabeça, que ninguem nunca ia tocar em mim a não ser que eu deixasse.         Hoje com 20 anos entendo quando se fala em abuso infantil e sempre choro com isso, até pq tenho uma filha de 2 anos e sofro em pensar que ela possa passar por uma situação dessa.         Dizem que sou um pouco radical, violenta demais quando se trata sobre assédios verbal ou sexual ou coisa do tipo, é que me causa uma revolta danada, cara.         Outro dia mesmo, estava num bar com uns amigos, e um cara bebado e bem vestido começou a olhar as pernas da minha amiga e ficar falando sobre elas.. Até que o namorado dessa minha amiga começou a reclamar pra nós e eu fui xingar o cara. Ele entrou no carro dele (não gosto nem de pensar no que ele foi fazer lá) e fui atras, pra pedir que ele fosse embora, ele começou a falar um monte de merda pra mim, e eu fiquei puta.. estava com um copa na mão e quebrei o copo na cara dele. E se ninguem me tira de lá, eu tinha continuado a brigar com ele.          Bom, desculpa o relato enorme…         Obrigadx pelo espaço para poder desabafar todas as coisas horriveis que temos que passar por sermos mulheres.         Força a todxs nós! E a luta continua.          L.P