Cantada 187

187 – “Meu caso começou com uma cantada “inocente”, até que virou violência física e sexual.  [atenção para quem for sensível ao assunto, relato de estupro]  Aos 17 anos, sendo integrante de uma dessas torcidas organizadas, já ouvia cantadas com uma certa frequência, mas, até então, era algo que considerava “aceitável”, já que o ambiente não contava com tantas mulheres e eu pensava ser essa a causa dos demais integrantes acharem ter tamanha “liberdade” para com o sexo oposto, embora muitas vezes me sentia constrangida por ouvir coisas extremamente grosseiras.  Certa noite, em uma festa de confraternização da torcida organizada, pensando estar segura com os ditos “amigos”, acabei bebendo mais do que deveria e um deles me apresentou para dois caras que não hesitaram em me forçar a entrar para a quadra (as festas da torcida organizada são realizadas na quadra da escola de samba).  Uma vez lá dentro, fui vítima de estupro. Pedi diversas vezes para que me deixassem sair, mas sem sucesso. Além do estupro, acabei levando tapas no rosto a cada vez que pedia para que me deixassem em paz.  Quando finalmente resolveram me deixar ir embora, ameaçaram-me para que não fosse feita a denúncia.  Contei o caso à minha família e acabamos decidindo que o melhor seria não denunciar e eu me afastar da torcida organizada. Ainda tive que ouvir de meus familiares que a culpa era minha, pois eu não deveria ter bebido.  Hoje, 3 anos depois, afastada da torcida desde o ocorrido, arrependo-me por não ter levado o caso à polícia e fico me perguntando até quando teremos esse tipo de tratamento em lugares que deveriam ser para ambos os sexos. Mulheres não podem gostar de futebol? Não podem beber em festas? “