Cantada 189

189 – “Não existe machismo no Brasil, não temos pelo que lutar:  Aconteceu em BH, dia 06 de outubro:  Estava na Tamóios, no centro, esperando o ônibus pra ir a um aniversário de uma amiga. Era 20h30 e estava no ponto, em pé, com mais umas 10 pessoas quando um homem se aproximou de mim e veio me perguntar se eu estava indo embora, dizendo que ainda estava cedo. Eu disse que estava e me afastei, não dei papo. Ele veio de novo até mim e me chamou pra tomar alguma coisa, disse que poderia ser um refrigerante, que não era nada alcóolico. Eu não respondi e sentei no banco ao lado de uma mulher. A mulher me disse: “ah, ele tá te azucrinando tb é? ele tava mexendo comigo antes, atravessei a rua e ele veio atrás…” Notei que ele não estava esperando ônibus algum e estava lá só pra ficar mexendo com as mulheres. Passaram alguns minutos e ele continuou por lá, rodeando as mulheres, até que deu a volta e veio até onde eu estava, me cutucou e perguntou se eu não queria beber nada, eu, sentada, fingi que não tinha escutado pra ver se ele ia embora. Mas, ele não parou e novamente me cutucou, eu perdi a paciência e resolvi não tolerar mais e tornar público aquilo. Levantei e falei alto com ele que era pra ele parar, que eu não estava gostando, que ele não tinha o direito de me perseguir assim e que eu não estava no ponto pra ser assediada por ninguém. As pessoas pararam e ficaram observando a situação, ele olhou pra mim assustado e começou a falar: “ah, vc tava gostando, tava gostando…” Eu fiquei com muita raiva e mandei ele sair dali, ele foi se afastando, indo embora e dizendo: “ah, vc tava gostando, vc tava gostando, sua bandida… bandida…” Eu fiquei muito revoltada, o cara te assedia no ponto, vc reage e ainda sofre essas ofensas. Não dá pra achar que isso é normal, que é algo tão natural, tão dado como as árvores. E isso acontece todos os dias. Se as mulheres começassem a relatar todos os casos de violência sofrida, desde cantandas invasivas à “mãos bobas” a timeline de todo mundo ia ficar cheia. Tô cansada destas violências diárias e naturalizadas. Um desabafo.”  Weslaine Gomes