Cantada 192

192 – “Quando eu tinha 15 anos, infelizmente ainda acreditava na boa intenção das pessoas e por conta disso não levei muito a sério um abuso sofrido. Minha mãe freqüentava um centro espírita e sempre me levava lá, mas o dono que era bem velho, já tinha cerca de 80 anos, começou a me agarrar e abraçar mas falava que era apenas “coisa de amigo”, e eu acreditando que eu tava vendo coisas onde não tinha, acreditei. Só que depois de um tempo ele começou a tentar me beijar enquanto eu me afastava e tentava afastar ele, mas em vão já que ele era bem maior que eu, e passar a mão no meu peito e uma vez até tentou colocar as mãos dentro da minha calça; eu constrangida apenas me afastava e ficava deprimida mas não tinha coragem de falar nada, tinha mais vergonha do que medo, e sentia meio que a culpa era minha. Minha mãe percebeu que eu tinha crises de pânico ao ir para o centro e acabou não me levando mais, e saímos do centro, nunca mais fomos. O pior é que muitas crianças freqüentam lá e passam a tarde toda no sábado para brincar, me deixa triste o fato de saber que as crianças podem passar por abusos lá e eu não tenho coragem de denunciar justamente porque se passaram muitos anos e eu tenho vergonha de contar o caso, além de achar que as pessoas vão me julgar por isso. Aos 16 anos fui num evento na PUC-RJ e me perdi lá, tentando achar uma feira que ficava mais retirada; enfim, 4 senhores começaram a me olhar maliciosamente, e a me seguir. Eu encontrei um prédio só que estava um pouco vazio, eu tremia e chorava de medo, não sabia o que fazer; liguei para o meu pai que estava longe e falei para ele que nem sabia onde estava e que tinha pessoas me seguindo. Tinha uma moça fumando numa mesa, fiquei aliviada ao vê-la ali e perguntei onde poderia achar o prédio novamente; eu realmente estava tão nervosa que não conseguia nem me localizar lá dentro, e morrendo de medo daqueles sorrisos irônicos e piscadas indiscretas além da perseguição que saí correndo para achar o prédio, tive uma crise de pânico logo após tudo isso e passei mal o dia todo. Agora com 21 anos, pouco tempo atrás pela manhã, um cara simplesmente me viu na rua e me olhou com um sorriso irônico; eu percebendo, fechei a cara e encarei ele, tentando desviar meio que correndo ao mesmo tempo. Ele estava armado e já tava tirando as calças; saí correndo mesmo assim, duvido que ele ia atirar e se expor logo de manhã numa rua em que passava carros. Como tinha um senhor um pouco a frente dele saí em direção ao senhor como fosse chamá-lo e então desviei indo para o local que estava próximo. Tenho medo de sair na rua, e faz tempo, já deixei até de estudar por medo de sair sozinha e pegar um ônibus, e quando vejo olhares maliciosos na rua para o meu lado, eu não quero saber se vou ser atropelada ou não, saio da calçada e ando fora mesmo, do lado dos carros. Sei que nem todos são estupradores, mas não consigo não me sentir aterrorizada com isso. Não comento isso com muitas pessoas pois acham que é apenas neurose minha, mas eu sei que não é, meu medo é real, é de algo que pode acontecer e já estou traumatizada com isso. Um olhar do nada pode virar um estupro, e fecho a cara e encaro zangada, mas infelizmente sinto que não é o suficiente, já pensei até em fazer cirurgia e virar homem para não passar mais por isso, é horrível.”
“oii, bom eu não vou contar nenhum relato e nem nada é só uma coisa que andei observando com os relatos que li por aqui, notei que tem muitos relatos de garotas falando que quando tinha 12 ou 11 ou 16 caras velhos mexiam com elas e etc.. Fico revoltada com isso, parece que eles não se tocam que uma garota de 12 anos ou 16 não é uma MULHER e sim uma adolescente. Teve um caso que passou na tv, matéria do cqc sobre pedofilia da garota que se passou por uma adolescente e chamou até o cara na casa dela e ele FOI ele deveria ter seus trinta e pouco E FOI LÁ! Revoltante, esses homens deveriam ter um pouco mais de noção, eles deveriam se lembrar que é APENAS UMA ADOLESCENTE, UMA CRIANÇA!”