Cantada 202

202 –   “Hoje aconteceu uma coisa “engraçada”. Eu estava esperando o ônibus no ponto, como faço todos os dias pra ir trabalhar. Tem um bar a poucos metros do ponto e sempre escuto alguma gracinha quando passo na frente. Enfim, estava eu parada na calçada quando passa um homem fardado, gente, FARDADO! Não reparei qual era a farda, mas pela cor acredito que era do corpo de bombeiros ou da pm. Ele passou bem devagar ao meu lado e disse: “Nossa, que gostosa!”, naquele tom que conhecemos bem. Respondi imediatamente: “Nossa, que nojento!” O cara ficou tão surpreso que parou de andar. Fiquei com um pouco de receio, mas ele voltou a andar e ficou olhando pra trás, enquanto eu o encarava com a pior cara de ódio que eu consegui fazer. Com certeza ele não esperava isso. O pior foi ter contado pro meu namorado e ele ter me dito que “essas coisas acontecem mesmo…”. Acho que mais revoltante que os desrespeitos que sofremos na rua, inclusive daquelas pessoas que supostamente servem para nos proteger e garantir nossos direitos, é o descaso com que nossos familiares e amigos encaram a situação.”