Cantada 223

223 – “Outro dia, eu estava voltando para casa, cansada, mas feliz de estar indo para casa. Quando eu estava a menos de uma quadra do meu prédio, eu passei do lado de um homem – que eu já tinha visto a uma distância. Muitas vezes eu fico apreensiva quando vou passar do lado de um homem na calçada, ainda mais em uma rua vazia. Mas eu não fiquei apreensiva dessa vez, porque ele era relativamente velho, tinha uma aparência frágil. Ainda assim, quando eu passei por ele tranquilamente, ele me olhou da forma mais nojenta possível, se inclinou pra cima de mim e falou “vou chupar sua b*”, mais de uma vez. Eu não reagi. Por algum motivo, eu fiquei com muito medo, muito mais que em outras situações. Acho que por causa de como ele me olhou. Como se eu fosse um objeto, como se eu não tivesse “vida”. Eu percebi que ele me via como um objeto, logo, eu não tinha sentimentos. Eu só abaixei a cabeça e apertei o passo, tendo que me esquivar dele. Tive a impressão que ele ainda deu uns passos na minha direção quando saí andando. Eu não olhei pra trás e quase corri até chegar em casa. Ainda fiquei com medo dele ter visto onde eu moro. Mas, assim que eu estava segura, senti muita muita MUITA raiva.  Eu só queria chegar em casa.”