Cantada 230

230 – ” Fui lendo os relatos e pensando “nunca fui cantada”, “nunca passei por isso” até que conforme foi passando os casos eu fui recordando algumas coisas e outras pensando “ei, isso não é normal!”.   Minha mãe sempre foi uma pessoa “pra frente”. Hoje, diríamos, que era uma mãe bem ativa na maternidade. Então ela sempre foi atenta e não nos deixar sempre na casa de vizinhos, observar as brincadeiras, e explicar que certas coisas não eram certas.  Me lembro uma vez, que fomos eu e meu irmão (meu irmão, 7 anos mais velho que eu) jogar videogame na casa de um vizinho. Eram dois irmãos, gêmeos. E eles tinham a idade do meu irmão.  Na época eu deveria ter uns 6 anos. Lembro que um dos gêmeos pediu para eu sentar no colo dele e jogar de lá. E eu fiz. Na inocência mesmo. E ele ficava passando a mão na minha perna e em todo meu corpo. Eu não tinha malícia, meu irmão apesar da idade (os tempos eram diferentes) também não, e acho que minha mãe só me alertava e não a ele.  O segundo caso foi quando eu tinha por volta dos 13 anos. Eu gostava muito de andar de bicicleta e andava por todo o bairro. Sábado era O DIA de andar de bicicleta e eu e minha prima sempre andávamos juntas e sempre íamos para a rua de uma amiga minha, tomar água e papear. E lá, sempre tinha uns meninos, alguns da mesma idade, outros mais velhos. Passei por diversas situações lá, desde me zoarem por eu usar shorts longos (tipo bermudas masculinas), e pelo fato de que com 13 anos não depilava minha perna. Isso tudo não me deixava mal, apenas um pouco incomodada com a minha aparência, mas nada relevante.  Até que um dia, não lembro a conversa, estávamos na calçada da casa da minha amiga e um dos meninos que devia ter uns 17 anos tentou me agarrar, ele segurou em meus ombros e ficava falando que ia me beijar, já que eu nunca havia beijado. Ele chegava bem perto, saía e ria, e fez isso várias vezes naquele dia. As outras pessoas? Riam, e incentivavam.  Isso para mim foi bem traumático e eu nunca mais fui lá. Não contei para ninguém, porque na época, minha mãe já era falecida, e tal. E eu não tinha abertura de falar isso com meu irmão ou meu pai.  Com 14 anos estava em uma festa de 15 anos, e foi minha primeira ” balada”. Era em uma chácara, sem adultos por perto, haviam adultos, mas sempre ficavam afastados.  E lembro que fui para uma área mais escura com uma amiga, perto dos carros, ela queria desabafar, coisa de adolescente que tinha acontecido na festa. E nisso, veio 4 meninos perto da gente, todos com 17/18 anos. Eram ” amigos” da aniversariante e então não ligamos. Conversamos e um pediu para ficar com a minha amiga, que aceitou e saiu. Me deixando com 3 caras. Falei que ia voltar para a festa (ou para onde tinha gente, eu já tinha pressentido que ia dar merda) e eles falaram que era para eu ficar lá, que eu era bacana, que estávamos conversando de boa.  E eu fiquei, por medo para dizer a verdade. E conversamos, normal realmente. Até que dois deles jogaram praticamente o terceiro em cima de mim. Que me encostou em um carro e me beijou.  Sai correndo apavorada. Contei para uma outra amiga que falou que tinha sido demais, uau, que legal!!! Eu só queria ir embora!  Com 16 anos estava em um bar, era festa do chopp e eu sempre ia com RG falsificado. Fui com uma amiga, já maior de idade, e outros amigos.  Nesse bar aconteceram dois fatos. O primeiro foi que passando, um cara, simplesmente apertou minha bunda. Porém deu o azar de ter um amigo meu encostado no balcão bem perto dele. Que gritou algo como ” não faz isso com a minha irmã!!!” e bateu nele! Eu sai e fui para a pista, onde minha amiga estava, e enquanto dançávamos eu contava a ela, sem dar detalhes. Quando notamos, tinha uns 8 caras nos cercando, vendo a gente dançar, e se aproximando cada vez mais. Minha amiga, que com certeza já havia sacado, pegou pela minha mão e tirou a gente dalí. Fomos embora.  E por ultimo, algo que me aconteceu por volta dos 21 anos.  Estava em um bar que eu costumava ir sempre, com meu namorado, alguns amigos. Eu conhecia muita gente no bar, inclusive quem trabalhava lá.  Meu namorado tinha ido falar com um amigo, um pouco distante da onde eu estava, mas estava no meu campo de visão, porém em uma conversa animada com o amigo e provavelmente bem distraido. Fiquei conversando com um amigo, encostada no balcão.  Então esse meu amigo foi ao banheiro. Eu pedi uma lata de cerveja para a moça do balcão, e então quando fui abrir a cerveja caiu muiiito na minha mão. Então chamei a moça e pedi para ela trocar por outra cerveja e me trazer um pano para secar a mão! No que a moça saiu, um cara ao meu lado, pegou minha mão e levou até a boca para ” chupar ” meus dedos. Fiquei apavorada e comecei a gritar para ele tirar a boca e mão dele de mim! Ele saiu super assustado. E quando meu amigo chegou, e outro amigo também, contei tudo. Um chamou meu namorado e o outro foi atrás do cara. Não deu em nada porque o cara havia desaparecido!   Enfim, foi isso!”  I.