Cantada 232

232 – ” Muita gente pensa que mulher gorda não recebe cantada. E por isso, muitas mulheres dizem que reclamar de cantada é recalque. Ledo engano.   Eu não sou simplesmente uma mulher gordinha, ou daquelas que vivem falando que estão gordas só por que tem o quadril mais largo que o da amiga. Tenho 1,70m de altura, atualmente peso 96kg, mas no passado já pesei 130kg. O fato se sucedeu nessa época, em junho de 2010.   Eu ia para a faculdade. Eram mais ou menos 18:00h. Eu estava distraída ouvindo música no MP3. Duas ruas pra cima da minha casa, tinha um terreno, onde hoje fica um prédio residencial. Na época estavam começando a construção, e eu sempre passava por ali aquela rua para ir a praça principal pegar o ônibus.  Nesse dia os pedreiros estavam fazendo hora extra. Quando passei em frente ao grupo que estava na construção um deles gritou “Ei, gostosa!”, eu fiz de conta que não era comigo e aumentei o volume da música. Mais adiante, a rua fazia uma curva fechada pra esquerda e depois mais uma para a direita. A rua de cima era uma linha reta, mas com um movimento muito grande de carros e sem faixas de pedestre (mesmo se tivesse, os motoristas da minha cidade não costumam respeitar as regras), por isso eu sempre sigo na rua torta, pois é mais fácil atravessar, e os moradores sempre estão chegando em casa nesse horário. Eu segui pela rua torta até a rua do comércio, faltavam apenas duas ruas para chegar ao ponto de ônibus na praça. Quando comecei a atravessar para a rua do comercio eu vi, na esquina de cima, o pedreiro, montado em uma moto, parado, esperando pronto para dar o bote. Ele me viu, acelerou a moto e avançou pra cima de mim, e eu tive que voltar pra rua torta para não ser atropelada. Ele investiu de novo com a moto e eu corri mais uma vez, até que tropecei em um buraco na calçada e cai. Ele parou, desceu da moto e veio pro meu lado. Me olhou e disse “É feio quando alguém te elogia e você não agradece.” Eu levantei, ele me empurrou no chão outra vez. “Diz obrigado sua vadia.”  Eu fiquei em silencio. Ele puxou meu cabelo me forçando a ficar de joelho, e me acertou um tapa no rosto. Eu reagi e dei socos contra a barriga dele. Ele me disse os mais diversos palavrões. Eu gritei por ajuda e, um casal de velhinhos que morava do outro lado da rua respondeu. Mesmo muito idoso o velhinho pegou uma vassoura e partiu pra cima do pedreiro, enquanto a velhinha ia batendo de porta em porta, gritando e pedindo que chamassem a policia.  O pedreiro me largou e partiu pra cima do velho. Mas ai chegaram mais moradores mais duas senhoras que moravam ali, as duas com vassouras na mão e acertaram o pedreiro. Que fugiu. A policia chegou uns 20 minutos depois. E tudo o que eles fizeram foi “Vamos anotar o BO.”  Foram os moradores das casas ao redor da construção que conseguiram que o pedreiro em questão fosse demitido. Mas isso não impede que ele corra e agrida outras mulheres.   Esse não foi o único caso de “cantada” que eu sofri, mas foi o pior. E espero que ninguém passe por isso.”