Cantada 234

234 –   “Um dia eu estava indo à academia e no caminho havia uma oficina. Na porta havia dois garotos que começaram a me encarar, mesmo eu ainda estando longe. A medida que eu aproximava, um deles acenou para os outros que ainda estavam lá dentro, e logo apareceram mais uns caras. Ao todo, era cerca de uns 10 homens na porta da oficina. Quando eu percebi, tentei ir me afastando para não ter que passar lá em frente, algo que não estava dando pra fazer pois eu teria que ir praticamente pro meio da rua, o que era impossível, por que não parava de passar carros. Quando inevitavelmente passei em frente a oficina (ainda assim tentando manter o máximo de distância), todos eles estavam me encarando de uma maneira tão imunda e maliciosa que mais pareciam um bando de animais. Só aí meu coração já começou disparar, já comecei a ficar nervosa e com medo. Até que um deles disse: “Nossa, linda, que saúde hein…”. Meu sangue simplesmente ferveu e eu disse bem alto “Cala a boca!”. Ele e todos os outros que estavam lá começaram a rir de mim, a debochar e a me ofender mais ainda, fazendo comentários depreciativos e sujos sobre o meu corpo. Foi muito, muito humilhante, principalmente por que eles fizeram isso na frente de alguns clientes que estavam lá. Felizmente a academia era logo na frente, então pude sair logo do campo de visão deles, mas eu cheguei nervosa e tão assustada que acabei tendo uma crise de falta de ar enquanto treinava (tenho asma, pra piorar as coisas). Depois eu ainda eu custei a voltar pra casa, com medo de passar por lá outra vez. E quando eu finalmente cheguei na minha casa, chorei muito. Já tinha recebido outras ‘cantadas’ na rua, mas eu nunca tinha me sentido tão humilhada como dessa vez. Era cerca de 10 homens me xingando dos mais diversos nomes, rindo de mim bem alto e ainda insistindo em passar mais cantadas, uma mais nojenta que a outra. Isso mexeu tanto comigo que depois disso eu praticamente parei de andar a pé. Ainda escuto as risadas de deboche daqueles idiotas toda vez que penso nisso e cada vez mais eu sinto raiva. Às vezes, só de pensar em colocar o pé pra fora de casa, eu já começo a ficar ansiosa. O sentimento de humilhação foi tanto que eu não desejo isso nem pra um inimigo.”