Cantada 240

240 – “Um dia cometi o erro de ir à Peruada (evento da faculdade d direito da São Francisco no centro de SP que se assemelha a uma micareta), sendo que eu nem gosto de micareta. Já fui prevenida, de calça jeans e sem decote, pois os homens do dia a dia já me treinaram direitinho sobre a vestimenta que me dá menos dor de cabeça, fui forçada a ceder. Passei boa parte da bagunça até que me divertindo com minhas amigas, até que um mendigo do centro apertou minha bunda com as duas mãos e um playboyzinho do lado riu! Me senti um lixo, a pior das pessoas! Fui embora me sentindo humilhada, me culpando por ter ido naquele evento. No metro, voltando para casa, sofri mais um abuso masculino: o cidadão forçou o dedo dele entre minhas nádegas quando eu saia do trem. Não aguentei, virei e dei uma bicuda nele e xinguei alto, parecia uma louca. Eu me senti tão mal, chorei muito, fiquei com nojo de mim mesma, fiquei com vergonha do meu corpo, desejei ter nascido homem. Até hoje tenho dificuldade de contar esse episódio, de tão humilhada que eu me sinto. Não tenho palavras para descrever o absurdo dessas situações, desejei até que meus agressores morressem. Hoje saio de casa com roupa de academia já com raiva antes mesmo de receber as cantadas nojentas, que sempre vêm….dos carros, dos seguranças, dos transeuntes….um nojo.”