Cantada 251

251 – “Então, já comecei o ano com história pra contar aqui… Vou tentar ser breve mas acho que não vou conseguir! Preciso desabafar tudo. Depois de jantar com a família fui pra uma festa num lugar conhecido na minha cidade como uma casa de prostituição, mas que nos fins de semana geralmente tem festas normais como em qualquer outra casa noturna, onde vai todo tipo de gente, inclusive eu, muitas vezes. Sempre foi tranquilo, não lembro de ter sofrido qualquer tipo de assédio lá antes do ano novo. Era festa open bar, como a maioria das que rolam lá, mas no ano novo acho que as pessoas já foram mais bêbadas que o normal pra festa, e conforme o tempo passava acho que a bebida ia tomando conta da cabeça das pessoas. Um cara tentou me beijar, quando não conseguiu tentou forçar, não deixei. Horas depois o mesmo passou a mão na minha amiga e ainda tentou me puxar pelo braço pra ficar com ele. Comecei a gritar, perguntei se era louco e se achava normal tratar pessoas daquele jeito. Óbvio que quem ficou com cara de louca fui eu, né? Mas ele se assustou e não nos incomodou mais. Isso foi logo depois de um cara chegar em mim por trás, encostando o corpo em mim e perguntando no meu ouvido “não faz nada nem pagando?”. Não acharia um desaforo se ele tivesse me confundido com uma prostituta mesmo, é uma profissão digna como qualquer outra, mas ficou ÓBVIO que ele sabia que eu não era, quase chorei de raiva e saí de perto correndo. Logo depois estava sentada com a minha amiga e um bêbado parou bem na nossa frente, a poucos centímetros de distância e começou a fazer sinais obscenos pra alguém que estava sentado perto da gente (e que pelo que eu vi ignorou o bêbado). Ele virou as costas e eu fiz que não vi, mas ele voltou a parar perto de nós e insistir nos gestos, não me segurei e joguei nele toda a bebida que eu tinha na mão, passando por louca de novo. Quando saímos pra rua pra pegar táxi, uns 6 homens que estavam saindo da festa passaram pela gente gritando todo tipo de coisa, desde ofertas de carona,”””elogios””” até palavrões, e eu sempre xingando de volta. Fiquei mais perturbada ainda, fui até a esquina pegar um táxi e percebi que tinha outro grupo de homens vindo atrás da gente. Pode até ser que estivessem só fazendo o mesmo caminho, mas a essa altura já estava tão perturbada que praticamente voei pra dentro do primeiro táxi e tranquei a porta, morrendo de medo.  Podem até botar a culpa em mim por ter ido “nesse tipo de lugar”, por estar de saia curta e salto alto, mas eu sei muito bem que esse tipo de coisa acontece em qualquer festa, com qualquer roupa, porque já passei por isso antes (mas nunca em tanta quantidade em uma noite só, confesso). Também sei que tem menina que já saiu de balada com o braço quebrado só por recusar beijo e que me arrisco reagindo desse jeito, mas não dá mais pra controlar! Não consigo deixar que me desrespeitem assim ser levarem de volta, cansei de sentir medo de sair de festa e ser assediada no caminho de volta, cansei de vestir o que eu não quero só pra ter a ilusão de estar mais segura.”