Cantada 263

263 – “Vou contar um caso aqui… Mas é difícil escolher! Todas nós, ao sairmos à rua, sofremos abuso verbal. Não existe dia que não soframos. E esta talvez seja a maior violência: o quanto somos obrigadas a abstrair tudo isso, diariamente, para nao enlouquecer. Eu estou mudando pra Frei Caneca aqui em Sampa (pra quem não conhece, é uma rua que pertence ao publico gay). Sempre me senti mais segura por aqui… Acho que por esse clima mais “mente aberta” e menos truculento. Segunda-feira, porém, ao passar em frente a um bar um senhor me chamou de gostosa. Eu tenho costume de retrucar, e mandei o senhor tomar no cu. Ele ficou enlouquecido e me seguiu por dois quarteirões (na cia de um amigo né, covarde nao anda sozinho) me xingando e dizendo coisas do tipo: “Ah a gracinha é sapatão, nao gosta de Pinto…. É pq nunca viu o meu”. Apertei o passo e cheguei ao meu destino: um posto de gasolina onde aguardaria um amigo. Meu amigo me mandou um SMS dizendo que atrasaria… Eu peguei uma cerveja e aguardei. Mulher, sozinha, a noite, num posto de gasolina e tomando cerveja? Vcs nao imaginam o que eu ouvi dos trabalhadores do posto. De embrulhar o estômago. Mas fiquei lá. Terminei minha cerveja, encontrei meu amigo e sai de cabeça erguida…. Embora minhas pernas tremessem de medo.”
“Quero agradecer pela existência desta página, que é de utilidade pública. Aqui as mulheres (e os homens também, por que não?) podem desabafar sobre essas situações abusivas pelas quais passaram e receber o apoio de outras pessoas sensíveis à questão. Aqui nós percebemos que não estamos sozinh@s. Não importa quanto queiram nos desunir semeando a ideia de que mulheres devem competir umas com as outras, de que mulheres odeiam as próprias amigas e outras babaquices: aqui, nós estamos UNIDAS, mesmo quando não concordamos. Muito obrigada mesmo a quem criou esta página.” Camila Fernandes Mila F