Cantada 273

273 – “Tenho uma história de alívio para dividir:  No início do ano estava em Brasília com meu namorado, visitando a Feira dos Importados. Na hora que fomos embora, duas moças que trabalham em uma das lojas estavam saindo para almoçar, e como estávamos andando atrás delas eu percebi os olhares maliciosos de vários homens para elas. Na hora em que saímos do pavilhão, no estacionamento tinha um vendedor de palhetas que lançou a cantada: “nossa, abriram a porta do céu, quanto anjo!”.  Eu fiquei morrendo de raiva pelas meninas, me enchi de coragem e disse: “Moço, o senhor tem mãe, tem filha?” Ele respondeu que sim, então com o coração quase saindo pela boca eu disse: “Então acho que o senhor não ia gostar que alguém falasse isso pra elas, mexesse com elas, né? Tenha respeito!”. Ele não se deu por vencido, e retrucou que era um elogio, porque elas eram bonitas…e eu continuei, dizendo: “elogio coisa nenhuma, isso é grosseiro, se elas tivessem a fim teriam ido falar com você!”. E ele se calou, cabisbaixo. As moças, que ouviram o bate boca, viraram pra mim e uma delas fez um sinal de positivo e me agradeceu. Me senti tão poderosa, muito embora estivesse tremendo, e meu namorado disse: “Você não deveria ter se metido, se estressado com aquele babaca…”, mas eu respondi: “Se for pra proteger uma mulher, eu me meto quantas vezes precisar!”