Cantada 278

278 – “Tenho um causo que exemplifica bem como os “bom dias” da vida são pura educação. Desculpe o texto grande, mas não consigo resumir: Eu costumo responder um “bom dia” na rua com um “vai se ferrar” ou um “bom dia o c*c*t*”, porque eu não ligo se a cantada for mascarada com um termo educado ou gentil. Tenho certeza que se eu fosse um cara ou uma mulher fora dos padrões de beleza, muitos homens não iriam me desejar bom dia. Enfim… um dia estava descendo uma rua próxima à liberdade quando uma cara passou me secando e disse: bom dia. Eu respondi com um “vai se ferrar” sem parar de andar e ele, meio sem saber o que dizer, gritou: “vamo junto, vamo junto!”. Daí eu, sem nem olhar pra trás, mostrei o dedo do meio e ele gritou em um tom ameaçador: “toma cuidado pra não apanhar viu? Sua vagabunda!”. Ou seja, mesmo as cantadas sutis, como o tal “bom dia” e o “oi, princesa” geralmente são formas de os homens “exercerem sua masculinidade” se impondo às mulheres. Quero deixar claro que nas últimas semanas, aprendi que ser grosseira muitas vezes não é construtivo pois, às vezes até pode fazer os homens verem que não é legal e pedirem desculpas, mas geralmente, ao invés de sensibilizá-los, acaba provocando a fúria. Estou me reeducando para ver uma forma mais eficaz de mostrar que isso não é bacana. Se alguém tiver uma sugestão, será muito bem vinda. Não sei se é exagero, e também aceito opiniões contrárias, mas eu me importo sim com qualquer cara mexendo comigo e não acho que sou obrigada a aceitar. ************************************ Agora eu me empolguei e quero contar outro causo, que é um dos dois causos que me causam asco até hoje só de lembrar. Um dia estava indo para a academia. Era umas sete horas da manhã. De repente eu sinto uma mão apertando minha bunda. Eu fiquei sem reação por uns três segundos, pensando: o que foi isso? quem é? deve ser meu tio, ou alguém que conheço, tirando um sarro. Esse pensamento foi absurdo, porque meu tio nunca faria isso em mim, e meu amigos que fariam jamais estariam naquele lugar aquela hora pra fazer isso. Quando dei por mim, era um desconhecido que passou de bicicleta. Procurei algo no chão para tacar nele, mas não encontrei. A única coisa que pude fazer foi chamá-lo de fdp (slut shaming, hoje eu sei disso), pois ele apertou a pedalada e eu não conseguiria alcançá-lo de forma alguma. Pra finalizar, como covardia e humilhação pouca é bobagem, quando ele estava a uma distância segura, ele olhou para trás, para meu rosto, e ficou sorrindo. Acho que o piro disso é que, quando eu contei pra duas amigas minhas, as duas falaram que isso já tinha acontecido com elas. ************************************ Pra finalizar o momento desabafo, teve outra situação que me deixa passada até hoje, só de lembrar. Estava na plataforma da estação Sé, sentido Jabaquara às 8hs da manhã, ou seja, horário de pico matutino. Estava no meio do vuco vuco aguardando o trem, quando, de repente, sinto uma mão apertando minha bunda. Olhei pra trás na hora, com uma cara de: “que po**a é essa?!”. Todo mundo atrás de mim ficou olhando com uma cara de: “o que ela tá olhando, meu deus?”. Menos um cara, que ficou com cara de paisagem olhando pra cima. Só faltou ele assobiar. Mesmo. Isso já me deixou passada, pronta pra dar um escândalo. Mas, pra minha surpresa ele estava abraçando por trás a NAMORADA. Eu fiquei tão passada com a cara de pau e, ao mesmo tempo, receosa, pois não queria expor a namorada dele, que apenas olhei pra ele e balance a cabeça de forma negativa. Até hoje não sei exatamente como deveria ter agido. Mas me sinto omissa por não ter falado nada, pois penso que aquele idiota apertou minha bunda e saiu com a namorada como se nada tivesse acontecido. Se que ela obviamente percebeu minha incredulidade, e que ficou falando com ele, mas tb sei que não aconteceu nada demais. Enfim, até hoje me sinto impotente diante desse ocorrido.”
Como o Voyeurismo Pode Salvar o Seu Relacionamento “O que muita gente não sabe é que o voyeurismo pode ser muito útil na manutenção dos relacionamentos (aqui vamos tomar como exemplo o sentido mais básico e elementar da palavra voyeur, que significa apenas o prazer em observar). Por exemplo, você está andando na rua acompanhado da sua namorada e percebe que um outro sujeito, atraente por sinal, passa e dá aquela secada discreta que não esconde o desejo pela mulher com a qual você anda de mãos dadas. Tirar satisfação está fora de cogitação afinal, todo mundo tem direito de olhar para onde quiser e certamente sua mulher não gostaria de colocar uma burca para parar de ser admirada. Mas geralmente o primeiro sentimento que nos afeta é o ciúme – aquela dor aguda no cotovelo. No entanto, poderíamos dispensar a raiva e o ciúme se aprendêssemos a tirar proveito dessa situação. Explicamos: o fato de outra pessoa admirar sua parceira e ter vontade de observá-la, de alguma forma, te relembra de quanto ela é desejável. Porque estamos tão acostumados a ver o outro comprando pão, reclamando com a telefonia, empurrando carrinho, pagando contas no banco que muitas vezes o que antes nos excitava, começa a ser rotineiro demais para despertar emoções. De repente você percebe que ela está em casa com aquele shortinho de pijama que deixa aparecer a polpinha da bunda e você continua fixado na TV, afinal, aquela é uma visão normal no seus dias. Não é proposital. Não deixamos de nos sentir estimulados pelos nossos parceiros de longa data de propósito. Isso acontece. Somos movidos pelo novo e vamos contra essa regra quando decidimos que queremos viver um relacionamento longo. Por isso, enxergar sua mulher (ou homem) com os olhos de outra pessoa, pode ser altamente estimulante. Suas sinopses cerebrais se lembram do motivo pelo qual você decidiu ficar com ela entre todas as outras. A brasa que vivia no controle no seu interior de repente volta a emanar uma chama.”